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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Adocao


Blog do Miguel: Prosa e Verso

Ela está baseada em fatos reais e foi escrita com as tintas do coração.

ADOÇÃO = CARMA?

É preciso, claro, primeiro conhecer os fatos para concluir com certeza sobre o título. Assim sendo, sem maiores preâmbulos, vamos aos fatos:

Ano de 1963:

Dona Tereza (minha saudosa mãe) com 2 filhos já bem criados, ainda se ressente da perda de uma filha que foi abortada. Lembra-se, sempre, de uma decisão tomada quando do ocorrido, se Deus permitisse, adotaria uma menina.
Os anos haviam passado e a decisão, por uma série de motivos, era sempre adiada.

Neste ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, Dona Tereza consegue contato com um sacerdote católico que se dedicava a promover benefícios às mães-solteiras e outros que tais. Por volta do mês de Julho, foi informada que uma moça, com quem ela nunca teria contato, estava grávida de uma menina e, por falta de condições financeiras e familiares, tinha concluído que daria a filha em adoção tão logo ela viesse à luz e, depois, voltaria para seu local de origem.

Todos os acertos foram alinhavados e a família Chammas passou a aguardar com total ansiedade o nascimento da pequerrucha. Foi uma gestação familiar, se assim posso denominar, onde o Sr. Alfredo, a Da. Tereza, eu, o Antonio Carlos meu irmão, meus primos Roberto e Sonia (na época, órfãos e continuando a morar conosco), minha única tia por parte de pai a Zazá e seu esposo o João e todos os outros agregados se consideravam pai e mãe da esperada menina.

Ano de 1964:

Dia 29 de janeiro o telefone dos Chammas tilinta e eles são avisados que a tão esperada menina nascera. Era perfeita e eles deveriam se preparar para ir buscá-la na maternidade no dia seguinte.

Na data aprazada, fomos para lá minha mãe e eu. A Maternidade, cujo nome não me recordo, ficava no início da Rua Voluntários da Pátria, em Santana. Ali chegando, fomos recebidos por um representante do sacerdote que já havia tomado todas as providências e nos entregou o tão esperado bebe, enrolado numa manta simplesinha. Não tivemos qualquer contato com a mãe biológica e nunca soubemos seu nome ou endereço. Junto com a criança, nos foi entregue uma declaração com os dados para que providenciássemos os registros legais, o que foi feito de imediato constando como pais naturais o Sr. Alfredo e a Da. Tereza. Ludibriavam-se assim as determinações legais e toda a burocracia envolvida.

A menina cresceu forte, linda e totalmente ignorante de sua real origem. O carinho com que era cercada, as atenções que recebia, a inteligência largamente comprovada, fazia daquela menina um sonho transformado em realidade.

Um dia, nuvens negras começaram a toldar o lar dos Chammas. Ameaças de contar a verdadeira origem daquela princesinha surgiram e foram pretensamente afastadas. Como diz o ditado “a mentira tem perna curta”, um dia essa menina soube por terceiros sua verdadeira história.

O choque de saber-se filha adotiva não foi grande, grande foi o choque de saber que os pais, irmãos e parentes próximos, em quem ela sempre confiara, a haviam enganado. Essa constatação, por mais que ela tivesse tentado entender, marcou muito no seu âmago.

Um dia, essa menina, sempre querida e cuidada, instruída, cônscia dos problemas do mundo e da maldade dos homens, cai em tentação e, da mesma forma que a mãe biológica, engravida, ainda na solteirice de sua adolescência.

A família, consciente do fato, lhe dá todo o apoio. Eu, seu irmão, com 24 anos mais velho do que ela, lhe dou total guarida e lhe prometo tudo de melhor durante a gravidez e depois dela, infinitamente.

O cérebro humano é bastante enigmático, sabe-se lá o que e como toda aquela situação se apresentou no intelecto daquela menina-moça. A princípio, ela aceitou a situação e trouxe à luz um lindo e forte garoto. Depois, desandou a fazer bobagens, a viver uma vida para a qual não havia sido preparada.

O filho, inocente, passou a ser relegado e, um dia, ainda morando em minha casa, ela saiu para comprar pão e não mais voltou. O filho havia ficado no berço e junto a ele um bilhete em que dizia não estar mais suportando a situação e nos entregava o garoto da mesma forma que a mãe a tinha entregado.

A principio tentei demove-la da decisão. Percebendo, com o passar do tempo que não poderia alterar a situação, decidi que adotaria o garoto, mas o faria dentro das formas legais.

Foi o que fiz, junto com ela, meus pais e minha esposa, perante o juiz, regularizamos toda a situação e o menino passou a ser nosso filho (meu e de minha esposa).

Para não incorrer no mesmo erro de meus pais, desde a mais tenra idade fui mostrando a esse menino que ele, mesmo não tendo saído da barriga de sua mãe, era tão ou mais filho nosso do que suas irmãs, uma vez que ele nos havia sido oferecido por Deus e por nós escolhido.

Surpreso, percebi que ele, por mais tentativas nossas em discutir ou conversar sobre a sua situação de filho adotivo, ele se recusava, peremptoriamente, a qualquer tipo de abordagem ao tema.

Preocupados, depois de um pouco mais velho, o levamos a uma psicóloga infanto-juvenil que, depois de várias sessões, concluiu que ele era perfeitamente normal, que nos considerava realmente como seus verdadeiros pais, por nos amar de paixão e, simplesmente, por causa desse amor, não pretendia discutir nada a respeito de sua adoção que ele considerava inexistente.

Aceitamos a decisão por ele tomada e a paz reina entre nós, até esta data. Graças a Deus, não cometi o mesmo erro pela segunda vez e fui, assim, agraciado com o amor eterno desse filho querido que, mesmo depois de ver o casamento de seus pais terminado, segue nos amando e respeitando sem quaisquer restrições.

Por causa desses fatos é que o título desse texto é ADOÇÃO = CARMA?

Conclusões e arremates:

Este depoimento eu faço para atender a conclamação de meu considerado Dácio e da caríssima Geórgia para uma blogagem coletiva sobre o tema ADOÇÃO. Espero tenha atendido aos anseios dos promotores.

A mãe biológica, minha irmã, hoje já voltou a ter contato com ele que nutre por ela apenas o carinho dedicado a uma tia, irmã de seu pai, de quem só há muito pouco tempo teve conhecimento.

Finalmente, na madrugada do dia 1º de Janeiro de 2005, por decisão única e exclusiva do meu filho, numa conversa nossa ao redor de umas várias cervejas bem geladas, ele me perguntou sobre detalhes da sua história e origem. Coisa que fiz com todas as minúcias necessárias. Essa conversa terminou quando o sol da manhã chegou para ocupar, com sua claridade, o quintal de minha casa. Um grande e forte abraço foi trocado entre esses dois amigos e eu recebendo, ainda, um beijo carinhoso desse meu filho, já homem feito.


Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

domingo, 9 de novembro de 2008

Adocao: Nossa História

Blog da Paula: Epinion

Como tudo aconteceu

Eu estava calmamente trabalhando quando, às 14h, a Assistente Social (AS) ligou do Fórum. Achei que ela queria falar sobre o Cadastro Único, mas ela queria saber se tínhamos interesse em ir ao Fórum ver o processo de um menino de menos de um mês.

“Menos de um ano!?”, perguntei espantada.

“Não, menos de um mês.”

Como nosso perfil era de 2 crianças de até 6 anos de idade, achei estranho. Mas, como aceitávamos doenças tratáveis, imaginei que o bebê poderia ter algum problema e ter sido rejeitado por outras pessoas na fila.

“Ele já fez todos os testes de saúde, inclusive neurológicos, e é saudável”, a AS dissse.Saí correndo do trabalho — meu chefe pensou que eu estava com dor de barriga…e estava! –, peguei o Paulo em casa e lá fomos para o Fórum. Lemos atentamente todo o processo do bebê, e a AS nos informou que um motoboy estava a caminho do Fórum com uma foto.

“Queremos ir no abrigo”, dissemos, e a AS riu espantada: “Vocês não querem nem ver a foto?” Não era necessário. Naquele momento, já sabíamos que era o nosso filho.Enquanto a AS preparava a autorização de visita e desabrigamento, a foto chegou e ficamos ainda mais apaixonados. O bebê era, além de tudo, lindo.Deixamos o carro em casa e pegamos um táxi para o abrigo. Primeiro porque somos perdidos em SP, nosso GPS estava sem bateria e o abrigo era num quebradão qualquer que desconhecíamos. Segundo porque não havia a menor possibilidade de nenhum dos dois dirigir, tamanho era nosso nervoso.Chegamos lá e esperamos que trouxessem o bebê, enquanto conversávamos com as funcionárias uniformizadas. O abrigo era limpo, pintadinho, bem cuidado, e as funcionárias eram todas simpáticas. Tudo parecia um sonho — e era!

Nosso filho chegou, embrulhado numa manta peludinha, e era tão tão tão pequenininho que tomamos um susto. Um susto bom, claro, como todos naquele dia. As funcionárias saíram da sala para nos deixar à vontade para “conversar”, mas não era preciso conversar sobre nada. Só queríamos saber o que precisávamos fazer para levar o nosso filho pra casa, imediatamente.Ligamos para a AS, que nos deu instruções, e em menos de meia hora saímos do abrigo com o Davi, nosso filho, com a roupa do corpo. Em casa, nada esperava por ele além do nosso amor. Nenhum enxoval, nenhum berço, mamadeira, fraldas, nada nada nada. E nada disso importava.Às 14h recebemos a ligação da AS. Às 17h estávamos em casa com o Davi. Em três horas, passamos por nove meses de gravidez, trabalho de parto e alta.Depois de uma correria para comprar mamadeira, fraldas e leite, recebemos a visita da Nacráudia — e do Guilherme, dentro dela –, com roupinhas e presentes pro Davi, do amiguinho que ainda nem nasceu. Outras amigas mães me davam dicas pelo telefone do que eu precisaria comprar no dia seguinte.O tempo todo, olhávamos para ele e não acreditávamos que era nosso (essa sensação, aliás, durou vários dias…ainda tem horas que volta!). Na sua primeira noite, Davi dormiu num futton, e eu sentada do lado dele, olhando, incrédula, perdidamente apaixonada, eternamente agradecida a Deus, ao Universo, a tudo o que nos colocou juntos nessa vida.E no momento em que o meu filho segurou minha mão pela primeira vez, toda a minha fé, a fé de uma vida toda, fez sentido.

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sábado, 8 de novembro de 2008

Filhos do Coracao


Regina Coeli do blog "Canteiros"

Por que eu te amo?

Quando te vi, pequenina, enrolada em panos, não pensei em nada. Meu mundo ficou silente. Sem buzinas de automóveis, sem prazos de trabalhos a cumprir, sem aqueles pensamentos insistentes, invasores, que assolam a mente das pessoas. Nada. Minha vaidade, minhas economias, minha carreira, minha "qualquer outra coisa", tudo se calou em silêncio arrebatador. Todas as pressões das coisas urgentes e importantes, as atitudes imperiosas, as conquistas sonhadas, nada me surgiu...foi como se tudo isso nunca tivesse existido.

Não havia nada ali naquele momento além de você, mulata, pequena, diante dos meus olhos, me provocando o maior silêncio que já ouvido por um mortal. Nosso primeiro abraço foi comprometedor: cerquei você com meus braços, erguendo-os com a intenção das muralhas protetoras de uma cidade medieval, te enlaçando por um instante de forma tão intensa que seria possível a qualquer laboratório identificar que nosso DNA era o mesmo. Se não o DNA do sangue, com certeza o DNA da alma. A qualquer um era possível ver que aquele homem com cara de português e aquela menina africana eram parte de um grande plano genial e generoso do Criador: eram pai e filha. É um afeto instantâneo e imenso, incomensurável, que faz e desfaz do nosso antigo ser.

Assim, calando minhas fraquezas e desfazendo a correria da vida, você me apareceu. Pronto. Como manter uma coerência com aqueles grandes objetivos profissionais? Como continuar obedecendo à lógica daquela ambição desmedida? Todos os compromissos e valores já construídos ruíram sob uma nova modalidade de sentimento, um sentimento renovador e carismático, que me arrebatou de forma acachapante. Eu não era mais a mesma pessoa de segundos atrás. Estava em paz e feliz.

Talvez as pessoas não entendam esse meu amor por você. Não se pode atribuir algo tão puro às práticas humanas, sempre matizadas pelos interesses mundanos. Nem mesmo às boas ações dos homens, bafejadas pelo altruísmo caridoso. Nada disso nos pertence. Aliás, nós dois sabemos que amor não se explica. Amor se sente. Não há caridade que justifique o amor, mas é o amor que a justifica. E aceito, por amor e caridade, tanto faz, as beijocas que você guarda para mim no fim do dia, como prêmio maior pelas lutas que empreendi.
Quisera eu, querida, que
todas as pessoas pudessem saborear esse sentimento: amar alguém que não foi gerada por mim, que não me perpetua com traços físicos semelhantes, que não tem o "sangue do meu sangue", e que permite que a jazida de afeto que trago em meu peito seja explorada e canalizada para um bem-querer. Sim, sentir amor por um filho adotivo me permite realizar algo maravilhoso: alguém que se torna fundamental em minha vida, com quem construo uma relação de amor no cotidiano, este ser especial que eu nunca teria tido a capacidade biológica de gerar!

Enfim é isto: eu jamais teria gerado você, meu anjo. Se dependesse da minha essência animal, limitada e finita, que vai virar pó, eu nunca teria me transformado eu seu pai. O que me habilitou para esta missão foi minha crença profunda e inabalável que o amor de Deus não tem limites e não se submete a tipologias, não se prende com amarras sociais ou raciais. É por isso que te amo, além, obviamente, destes olhos negros e amendoados, que me sorriem, um pouquinho antes de dormir.

Sávio Bittencourt, pai adotivo de Ana, que deu nome à ONG de apoio à adoção fundada por ele, Quintal da Casa de Ana.

Blog: savio.blog.terra.com.br


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Seal, um menino adoptado


Blog do "Rafeiro Perfumado"

A história do cantor Seal é, a meu ver, fantástica, e merece ser contada.
Tive conhecimento da mesma quando a minha mulher estava a ver o programa da Oprah e, mesmo tentando concentrar-me no que estava a fazer no computador, fui desviando a minha atencao para a televisao, até nao resistir mais e mudar-me definitivamente para o sofá.
Quando o Seal nasceu, foi colocado numa família que residia nos subúrbios de Londres, onde ficou durante os primeiros 4 anos da sua vida e onde foi aceite e criado como um membro integrante da família. No entanto, quando fez quatro anos, foi retirado a esta família pela mae biológica.
Apenas dois anos mais tarde, foi novamente "transferido", desta vez colocado sob alcada do pai biológico, tendo entao sido criado num ambiente pobre e pouco harmonioso no que toca a relacoes parentais.
Durante 40 anos, Seal questionou-se sobre o que terá acontecido à anterior família, pois, pese a tenra idade, manteve memórias felizes do período passado com esta família. Foi entao, quem entrou em accao a sua mulher, a modelo Heidi Klum, que resolveu investigar a fundo este assunto. Sabendo a zona em que o Seal esteve adoptado (Rumfort), colocou um anúncio na imprensa local.
Foi entao, que alguém respondeu ao anúncio, enviando uma fotografia que se assemelhava ao que o Seal poderia ter sido em crianca.
Quando Heidi enviou por email a fotografia ao Seal, este comecou a chorar assim que a viu. Tinha-se reconhecido na pequena crianca da fotografia, a única que alguma vez vira deste período da sua vida.
O programa da Oprah reservou uma surpresa ao Seal, tendo trazido para se encontrar com ele uma "irma".
O encontro foi comovente, adivinhando-se que terao, nos próximos tempos, muito que conversar e muitas saudades que matar.
Consigo tirar várias conclusoes desta história: a forma como o Seal foi recebido numa família para a adopcao, onde encontrou, por algum tempo a felicidade;
a forma como mesmo tendo crescido num ambiente adverso conseguiu transformar-se num ser humano sensível e construir uma carreira de sucesso;
o amor da sua mulher, que sabendo este, ser um capítulo em aberto na vida do seu amado, resolveu ajudá-lo a escrever as últimas frases.

Aqui o link da entrevista:
http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL319530-9798,00-SEAL+SE+EMOCIONA+AO+REENCONTRAR+IRMA+ADOTIVA.html

Uma beijoca e parabéns pela iniciativa!

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