terça-feira, 11 de novembro de 2008

Adocao


Beth/lilás do blog. Mae Gaia

A Blogagem Coletiva sobre Adoção começou hoje e promete grandes e lindas histórias que servirão de exemplos e incentivos para quem quiser adotar uma criança e ainda tem alguma dúvida.

A história que mostrarei abaixo é verdadeira. Minha grande amiga Fátima, enviou-me especialmente para esta blogagem e, como poderão sentir no decorrer da narrativa emocionante, há nela explícita toda a materialização de um sentimento profundo de doação e amor, retribuição do mesmo e total realização pessoal.Tenho muito orgulho de ter a Fafá e sua família como amigos do coração e, com a anuência do Thiago, querido e lindo à esquerda da foto, apresento-lhes uma história de amor com final feliz.


Mais histórias sobre Adoção você encontra aqui.
Senta, porque o texto é grande, mas vale a pena ler tudinho!
Adoção: Amor por vontade de amar (por Fafá)

Quando minha amiga Beth me falou sobre a blogagem coletiva, com o tema adoção, adorei a idéia no ato, mas claro que precisava conversar com as outras partes interessadas, ou seja, meus filhos e meu marido. Aprovação total e para meu orgulho maior, o apoio irrestrito do Thiaguinho. Thiaguinho, que não é mais Thiaguinho, é Thiagão, tem 24 anos, mas pra mim, continuará sendo Thiaguinho e ponto final.Tentarei resumir nossa história, sim “tentar”, pq não se fala de 22 anos de vida em comum rapidinho, não é? Comecei a namorar meu marido com 14 anos e ele 16. Eu a típica garotinha romântica e ele o típico rapaz de família. Nos casamos em 1984, eu com 19 anos e ele 21. Nossos pais não eram muito a favor, mas ele havia passado no concurso, para o antigo banco estadual BANERJ e o salário dava bem para nós dois, daí concordaram. Claro que pretendíamos continuar estudando, ou melhor, ele pretendia, porque eu não pretendia não. Eu queria ser DONA-DE-CASA, é isso mesmo DONA-DE-CASA.
O ano de 1985 passou rapidinho, lua-de-mel, casa novinha, compra do nosso primeiro carro e a decisão de que era hora de voltar a estudar.
Meu marido resolveu fazer o vestibular para engenharia civil, meio sem acreditar que passaria, já que estava sem estudar a um tempinho. Passou!

Ahhhhhhh, nesse meio tempo, meus pais foram a Portugal e qdo voltaram cogitaram a possibilidade de mudarmos para lá, já que aqui vivíamos uma fase de muitos seqüestros, meu pai era comerciante, um bom alvo. Fala daqui, pensa dacolá e decidimos que mudaríamos para Petrópolis, não sairíamos do Brasil e moraríamos num lugar tranqüilo. Meu pai comprou um terreno grande e começamos a planejar e tb construir nossa casa.
Filhos??? Agora não! Eu respondia resoluta. Afi
nal, estávamos com apenas 1 ano de casados, com a perspectiva da construção de uma casa em outra cidade e a faculdade de engenharia. Casal ajuizado, certo? É...certo, ou melhor, deu certo, mas não foi bem assim que aconteceu.

Logo que meu marido passou para a faculdade, eu visitei um orfanato com minha mãe. Ela costumava ir num asilo, eu tentei, mas não passei da varandinha que havia na entrada da enfermaria, chorei horrores, daí pensei que um orfanato seria bem melhor para visitar, afinal crianças são muito alegres.
Minha mãe perguntou a freira como poderia ajudar, ela se referia a mantimentos, produtos de limpeza ou higiene. Para minha surpresa, a freira disse que estavam com um menino muito doente e mandou buscá-lo. Ai, ai, aiiiiiiii não teve nem jeito, foi AMORRRRR a primeira vista. Dois aninhos, moreno, cabelos castanhos dourados cheio de cachinhos, olhos como jabuticabas, cílios enormes...LINDOS! Thiaguinho, havia tido paralisia cerebral no parto, não andava, não falava, tinha um buraco no pescoço, respirava mal (como se tivesse bronquite), exalava um cheiro ruim, que eu imaginava ser do pescoço.
Minha mãe se ofereceu para levá-lo a um
pediatra e custear o tratamento. Combinaram uma nova visita, para quando a diretora estivesse presente e pudéssemos ter a autorização, para levá-lo ao médico. A congregação era em Recife e era lá que a diretora estava.
Voltamos no dia marcado e a diretora não permi
tiu. Disse que só com autorização do juizado, ou com autorização da mãe.
Thiaguinho nesse dia estava pior, saí de lá arrasada, eu sabia que meu pai não poderia fazer nada, naquela época ele tinha padarias, restaurantes e essas coisas tomam tempo. Naquela noite, meu marido chegou da faculdade e eu estava chorando, contei-lhe o que havia acontecido e pedi para que fosse lá co
migo para ver o Thiaguinho. No dia seguinte lá fomos nós, a freira mandou buscá-lo e lá veio meu pequeno, segurando numa das mãos, um saco plástico com umas coisinhas dentro e na outra um pente enorme. Olhar caidinho, muito gripado, o mesmo cheiro e a respiração bem difícil.

Meu marido tem bronquite e achou que aquela chiadeira no Thiaguinho tb fosse, não era.
Depois da visita a conversa no carro foi mais ou menos assim:
- Ele não é lindo?
- É sim!
- Então, já que não se pode tratar dele aí no orfanato, só tem um jeito...
Daí meu marido tentou ser sensato, l
embrar da faculdade, das despesas, construção da casa, dos problemas de saúde...blá, blá, blá.
Na semana seguinte, Thiaguinho piorou e foi internado no Hospital do Fundão. Estava com pneumonia, o cheiro ruim era proveniente de uma esponja no nariz, que estava podre e formando uma cavidade. Vermes e desnutrição. O buraco no pescoço, era uma fístula congênita, que precisava ser operada, caso contrário não teria movimentos do pescoço.
Duas semanas que não pensei em mais nada que não fosse ADOÇÃO. Familiares e amigos dando opiniões, claro que todos contra.
Uma tarde, recebi o telefonema de uma pessoa, que tb visitava o orfanato, havia sido através dela que conseguiram internar o Thiaguinho, alías, foi no carro dela, que ele foi ao hospital acompanhado de uma freira.

Conversamos muito, ela me disse que havia conseguido meu telefone com a freira, que o Thiaguinho iria ter alta, mas que não deveria voltar para o orfanato, já que os médicos temiam que tivesse outra recaída (na verdade, aquela era a TERCEIRA pneumonia).
Tentando resumir...procuramos pela mãe biológica, ela NÃO PODIA ficar com ele, fomos para o juizado e não conseguimos NADA. Fomos para um cartório para tentar a DOAÇÃO, ela não tinha um documento sequer. Tinha que haver um jeito e houve, digamos que um “jeitinho brasileiro”. Na época, eu nem queria saber das conseqüências, de fazer algo fora dos trâmites legais. Pra falar a verdade, nem hoje, se o que estivesse em jogo fosse uma vida.
Não sou a favor de maracutaias, muito menos de “levar vantagem em tudo”. Sou HONESTA, pago minhas contas em dia, mas ali nã
o havia escolha. A mãe biológica não tinha condições, o governo e as freiras não bancavam um orfanato decente, o hospital tb não podia mantê-lo até sua total recuperação. A verdade é uma só: quem quer arruma um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa. EU QUERIA!
Saímos do hospital, fomos com a mãe biológica até o orfanato, onde ela assinou um documento atestando que o estava retirando de lá, estava mesmo, ora.
Trinta de maio de 1986, virei mãeeeeeeeee!!! E agora??? Lembrei de um dos ditados que minha avó usa comumente: “as dores do parto ensinam a parir” e fui cuidar do meu filhote.
Tentando resumir de novo...Muitossssssss anos de fisioterapia, fonoaudióloga, pernas engessadas, duas cirurgias e ele es
tá lindo e saudável. A família não ficou por aí, no final desse mesmo ano engravidei da Carina e depois em 1991, quando ainda faltava 1 ano, para meu marido se formar, tive o Caio.

Thiaguinho tem 24 anos, terminou o segundo grau, tirou carteira de motorista e passou na PRIMEIRA prova e trabalha comigo. Caráter irrepreensível, bondade incontestável. Companheiro de todas as horas e para o que der e vier.Não, eu não sou coruja, ele é que é MAGNÍFICO! Aliás, verdade seja dita, os três são. NUNCA, mas NUNCA mesmo, ouvi de um dos meus filhos, qualquer reclamação por ter dado mais para um, do que para outro. Cresceram sabendo dividir, sabendo respeitar as diferenças, percebendo o preconceito e lutando contra ele. Aprenderam que AMOR, é o maior sentimento de todos e que independe de sangue, precisa mesmo é praticar. Sabem respeitar a vida e se compadecem da dor e do sofrimento alheios.

Bem, pra você que leu o meu depoimento e está aí, com a cabeça fervilhando de dúvidas, conceitos e indagações, já adianto algumas perguntas e respostas, que dei e dou para questões básicas sobre ADOÇÃO, no meu caso, algumas já caducaram, meu filho já é adulto, mas acreditem respondi-as muitas e muitas vezes.

-VOCÊ NÃO TEM MEDO QUE ELE AO CRESCER FIQUE REVOLTADO, E APRONTE?

R: Infelizmente conheço alguns jovens e outros não tão jovens, que teoricamente teriam tudo para serem felizes e são revoltados, outras pessoas que poderiam ser revoltadas e são verdadeiros exemplos, logo, ser adotado não é pré-requisito para revoltas e coisas parecidas.
(No meu caso: nenhum dos três é revoltado não. Cada um tem seu espaço, sua vida e procuram se ajudar mutuamente.)

- VOCÊ NÃO SE PREOCUPA COM A GENÉTICA? E SE OS PAIS BIOLÓGICOS FOREM DROGADOS, BANDIDOS, ALCOÓLATRAS?

R: PRESTENÇÃO NO MUNDO CARA PÁLIDA...o que tem mais por aí, são pais se descabelando, por não saberem a quem seus pimpolhos biológicos puxaram. Quantos e quantos jovens, filhos de pais íntegros e sem vícios, aprontam todas e mais algumas.
(No meu caso: nenhum dos meus filhos tem vícios, aliás nem eu e nem meu marido. Não é por motivo religioso e nem cultural. Somos católicos, pouco praticantes e vcs sabem que até na missa tem vinho, já na parte cultural, eu e meu marido temos ascendência portuguesa, espanhola e italiana, olha o vinho aí outra vez, mas nós não gostamos, fazer o que? Genético eu sei que não é...rssss)


- E SE ELE QUISER CONHECER A MÃE BIOLÓGICA QUANDO CRESCER?

R: Ué, vou ajudar no que for possível. Ele vai deixar de me amar por causa disso? Se eu posso amar 3 filhos, porque ele não pode amar duas mães? Disse e repito, tenho medo que meus filhos amem de menos, amar demais podem e devem.
(No meu caso: Thiaguinho nunca quis conhecer a BIO, mas sempre deixei claro, que ela não o entregou a mim porque quis, e sim porque não via outra saída. Cada um tem uma maneira de fazer e sentir as coisas. Talvez eu,
na pele dela fizesse o mesmo, é fácil ser bom quando se tem tudo, e eu sempre tive tudo, logo não temos como nos comparar.)

E QUANDO VIEREM OS SEUS FILHOS BIOLÓGICOS? VOCÊ NÃO ACHA QUE VAI GOSTAR MAIS DELES?

R: Aveeeeeee-mariaaaaa...aqui em casa não temos fita-métrica para amor. Desde que mundo é mundo, tem gente se descabelando, matando, raptando por “amor”, e geralmente não são do mesmo sangue. Quantas e quantas vezes, em famílias 100% bio , um filho se dá melhor com a mãe, outro com o pai, aliás conheço casos, de mães e pais, que não se dão com determinado filho ou filha de jeitoooooo nenhummmm. Isso significa que não amam?
Já pararam pra pensar, no número absurdo de pais e filhos bios, que tem se matado? E adotados, muito poucos não é?
(No meu caso: Thiaguinho cresceu, vendo o quanto eu e seu pai nos amávamos...ops, nos AMAMOS, sempre soube tb, que ñ tínhamos nenhum laço sangüíneo, logo, ter ou não o mesmo sangue, para nós é fator irrelevante.)

Moral da história: Se puderem, não pensem duas vezes...ADOTEM! Eu poderia dar inúmeras razões, três delas merecem ser faladas:

-A experiência de amar, pura e simplesmente é inexplicável, a adoção é um amor sem rótulo, ou seja, você não ama, pq é seu filho biológico, ou porque é rico, ou porque é lindo de morrer, ou porque vc pariu então tem obrigação de amar. Na adoção, vc ama aquele serzinho, porque quer amá-lo e pronto.

-Quando a criança que você escolhe tem uma história sofrida, você de bandeja aprende a seguinte lição: nem tudo que parece bom, é bom e nem tudo que parece ruim, é ruim. No orfanato uma senhora comentou conosco, que achava que qualquer criança, teria mais chances de sair dali que meu filho, por causa dos problemas de saúde, foram justamente esses problemas, que me fizeram tirá-lo de lá.

-Bons exemplos valem muito mais do que palavras, se você já tem, ou pretende ter filhos biológicos, todos sairão ganhando. Esse ano minha filha ao sair da faculdade, achou na rua um cachorro já grandinho, coberto de sarna e bicheiras, nem de pé ficava mais. Tentou falar comigo mas não conseguiu. Foi num petshop, pediu o carro e o motorista emprestados, para ajudá-la a pegar o cachorrinho. Levou para uma clínica, negociou uma diária mais em conta pq, provavelmente o tratamento seria longo.O veterinário não deu muitas esperanças, mas começou a fazer o que podia. Quando eu cheguei em casa, Thiaguinho começou a me contar, que a irmã havia ligado e falado do cachorrinho. Carina chegou da faculdade, contou toda a saga e receosa que ficássemos chateados ( já tínhamos uma vira-latinha, uma gata ambas encontradas na rua e um mastiff inglês) deu a sugestão, de que cuidássemos dele e depois levássemos para uma feirinha de adoção, seríamos um “lar temporário”. Thiaguinho imediatamente falou: “Lar temporário pra mamãe??? Lar temporário pra ela, vai ser de 18, 20 anos.” Risos generalizados, lógico. Quando eu e meu marido ficamos a sós, ele todo orgulhoso disse: “É estamos plantando sementinhas”.

Num mundo com tanta crueldade explícita, é um bálsamo encontrar jovens que se compadecem do sofrimento alheio, seja ele de uma criança, animal ou idoso.

Torço muitíssimo, para que iniciativas como esta blogagem coletiva se multiplique e mais do que isso, que as pessoas cada vez mais encontrem ou quem sabe descubram, a alegria de se sentir verdadeiramente “fazendo a diferença”.


Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Adocao


Blog da Lulu: Lulu on the Sky@

Hj o post foi sugerido pela minha amiga Georgia e Dacio Jaegger o tema é sobre adoção.

Adoção é um gesto de amor e aqui vou citar alguns exemplos de celebridades que fizeram sua parte:
A mais conhecida é claro, a Angelina Jolie que já adotou 3 crianças: Maddox do Camboja, Zahara da Etiópia e Pax Thien do Vietnã. Como todo mundo sabe, cada um deles é de um biotipo diferente e ela tem filhos naturais que são loiros.

Lulu, mas a maioria quem adota quer filho loiro de olhos azuis...

È verdade, uma triste realidade pq as pessoas não são todas loiras de olhos azuis. Temos diversidade de raças e milhares de crianças pedindo um lar.
Meg Ryan adotou uma criança chinesa, a Daisy justo ela que é loira de olhos azuis. Já a cantora Madonna adotou David Banda que é negro vindo do Malauí.
Já dizia um velho ditado que mãe não é necessariamente a que gera uma vida e sim a que cria. Qtas crianças são abandonadas pelos pais e pedem uma familia? Qtas mulheres fazem de tudo para ter filhos e não conseguem?

Cito mais um exemplo de celebridade, a apresentadora Astrid Fontenelle adotou recentemente um bebê Gabriel de 2 meses, após inúmeras tentativas frustradas de engravidar com ajuda da ciência. Sem contar na Elba Ramalho e Marcelo Anthony que adotaram 2 filhos cada.
Admiro pessoas que adotam crianças, é um gesto de amor. Se um dia eu tiver condições financeiras mais estáveis, com certeza vou adotar uma criança.


Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

Adoção:um ato além de nós.



Blog da Grace: Eu e o renascer das cinzas

Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento.Albert Camus

Hoje comeca a BLOGAGEM mais delicada do ano. Idéia da Geórgia e do Dárcio. Tema que resulta num verdadeiro caso de amor. Um amor que vai além de nós ...do intendível...do mensurável...do aceitável...O amor à primeira vista...ao primeiro toque...ao sentir que nos faz suspirar. O único que nasce ao primeiro olhar e permanece até o último de nossos dias.Inabalável feito rocha...tempestade e calmaria. Um descontrole de emoção que nos faz crescer na arte da doação. Da entrega...da solidariedade e do estar sempre junto...
Inicialmente, eu pensei em nao escrever sobre. Me faria sofrer uma dor que teima em nao diminuir.Eu poderia falar da legislacão sobre o tema. Mas nao conseguiria explicar de forma concreta o que tenho guardado calada...com pouca gente a saber. Nao.Eu nunca escrevi uma linha sobre o tema...de forma escancarada.Mas, mês passado, a médica sueca me aconselhou a fazer terapia para suportar a dor de conviver com a distância e ausência de dois filhos que a vida me dera e, ao mesmo tempo, me tomou. A carta abaixo, eu escrevi na noite em que soube de sua morte. Sei que ele nunca lerá...mas torná-la público é um resgate. Uma dívida que eu tinha com ele.
" O nosso primeiro encontro se deu em 2006. Entre centenas de crianças...você me chamou a atençao. O sorriso desdentado, as maos em feridas, os cabelos desgrenhados. Nenhum deles correu para mim...Mas você correu. E me agarrou como se eu fosse a sua tábua de salvaçao.E eu pensei que seria, sim.
Desde aquele momento, nao tive outra intençao a nao ser retirá-lo da guerra, das doenças. A ganância do homem fez de você uma vítima.Os obstáculos que vivenciei para te encontrar nunca foram sentidos por mim antes. Os dias que passamos juntos foram inesquecíveis. Momentos de rara beleza. Tê-lo ouvido falar meu nome, tocado meu rosto, lambido meu nariz fez de mim uma pessoa melhor. Seu jeito doce e sua história sofrida me tocaram profundamente.
Mas o que nos uniu näo foi o desejo imenso de te dar uma vida melhor. Foi o amor...o sentimento que nos leva a nao querer que a pessoa amada jamais sofra.Eu creio que tê-lo encontrado me deu forças para viver uma vida que na época, era muito desinteressante. E perdê-lo me levou a um caos desconhecido. Por meses sem fim, eu vivi no limbo. E este ano, decidi retornar ao Continente Africano. Eu precisava recolher os destroços de mim mesma.E descobrí que um pedaço de mim tinha-se partido. Ter revisitado o lugar em que você viveu a curta estada de vida na terra me fez crer que nada é por acaso.
Semanas atrás estourou uma nova guerra na República Democrática do Congo. Muita gente perdeu a vida. E nao creio que se você tivesse voltado para Goma, em vez de Kinshasa, teria sobrevivido. A guerra é insana. Triste e angustiante. E eu nada pude fazer por você.


Eu quero que você saiba que, se nao fui te buscar é por que eu fui impedida de viajar por meses sem fim. Os planos que eu tinha de vê-lo e tentar junto à ONU para impedir o seu retorno ao país natal foram anulados. Sabe?Nunca devemos acreditar em promessas. Estava tudo certo de que você nao seria mandado de volta para casa.Mas algo estava errado na última vez em que nos encontramos e eu tive que pagar uma quantia alta para ter acesso a você. Sempre fui contra pagar propina. Mas para ter você de volta, eu pagaria o que fosse necessário. Por você...eu passei por cima de meus valores. Levei meses tentando conversar aquele que seria seu pai a te aceitar como filho. No início, ele alegava que estava velho demais para conviver com criancas pequenas e sugeriu que protegêssemos uma somaliana, Fatuma. Mas eu nao queria. E quando uma vez doente, ele me viu depressiva e percebeu que você era uma das razöes...nao pensou duas vezes...E deu o aval.
Pena que foi tarde demais. Um mês depois, um
aviao cargueiro levou meus sonhos. E junto a oportunidade que eu teria de finalizar o processo e dar a você uma vida diferente de tudo o quanto você tinha vivido.

Eu queria que você soubesse que continuo na luta de sempre em querer trazer Allan para viver na Suécia.Mas ele também foi uma adoçao informal e a imigracao sueca nao nos dá o direito de tê-lo conosco.

Você me mostrou que adotar alguém é um ato sublime de entrega e doação. Você me ensinou a abolir todo materialismo gritante. Hoje, eu sobrevivo com pouco. E se busco MAIs é por que sei que posso fazer muita gente feliz. O mundo anda caótico. As pessoas continuam egoístas. E a natureza cada dia mais devastada. Nunca vi, filho, tanta criança perder a vida de forma cruel e covarde como agora. Nunca vi tanta criança vivendo pelas ruas, mendigando e clamando por um lar. Elas nao precisam de muita coisa, nao. Precisam de um pai e uma mäe que facam tudo pela felicidade delas.Por que ter um filho é mais do que expulsá-lo das entranhas. Filho é cuidar sem espera de retorno algum. É a doaçao mais sublime da face da terra.Tem gente que acha nao ser capaz de se doar a uma criança. O que falta nessas pessoas é perder o medo da entrega e, em muitas a capacidade de deixar o egoísmo de lado, abrir o coração, e se entregar. Sem medo de perder a individualidade.

Ontem à noite, o céu cinzento do frio sueco foi agraciado com um brilho especial. A visita repentina de uma estrela a brilhar. Por alguns segundos, eu tive a sensação de que ela estava olhando para mim. Tenho certeza que era você. VALEU, MEU GURI.TER ENCONTRADO VOCÊ FEZ DE MIM UMA PESSOA MELHOR. E, ACEITAR QUE A MORTE É UMA PASSAGEM, ME CONSOLA..."

Só as crianças e os bem velhinhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperanças são breves.Mário Quintana

No momento, meu coracao vive dividido entre os dois filhos naturais que vivem comigo na Suécia, Allan que está no Brasil e mais 8(oito) criancas de 6 meses a 16 anos -de uma só família- que sao de Ruanda e vivem no Norte de Mocambique. Eu daria tudo para ter todos eles debaixo das asas. Sei que nao posso mas vou fazendo de tudo para dar a cada um deles a certeza de que eles sao especiais para mim.


Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

Adocao, o filho do meu coracao



Yvonne do blog: BlogGente

Queridos amigos

Fui convidada pela linda Georgia Aegerter para participar de uma blogagem coletiva a respeito de adoção.
Como não tinha nada a acrescentar, em um primeiro momento falei que não iria escrever nada. Convém esclarecer que não gosto nem um pouco de blogagens coletivas. Só que pensei melhor e optei por escrever a minha experiência que nada tem a ver com adoção e sim com o fato de ter um filho que não saiu da minha barriga: um enteado.

Esse filho é o Felipe. Quando eu o conheci, ele tinha apenas três anos e meio. Gostei de cara, mas não por causa dele e sim por ser filho do homem que eu tinha acabado de escolher para me relacionar. Por uma feliz coincidência, estou escrevendo esse meu post no dia 16.10.2008, exatamente 26 anos depois de ter conhecido o Felipe. O primeiro dia não foi muito bom e ele chorou um tanto raivoso. Percebi que não era o momento adequado para iniciar uma amizade e eu, que fui passar o fim de semana com o então namorado, optei por retornar à minha casa no sábado de tarde. Nossa história de amor iria começar quando ele achasse que seria o momento ideal.

No final de semana seguinte, não houve mais problema e nós começamos a ter afinidade, mas ainda assim, ele não era "O" Felipe e sim o filho do namorado. Bom, o tempo passou, até que eu tirei férias no mês de janeiro de 1983 e o meu marido não conseguiu o mesmo período. Já estávamos morando juntos e eu fiquei o tempo todo com o Fê, enquanto ele trabalhava. Fizemos um monte de passeios, íamos à praia do Leme todos os dias (bairro que eu morava), brincava com ele demais. Até que as minhas férias acabaram e eu tive que retornar na quarta-feira de cinzas daquele ano. CARAMBA!!! Foi um dos momentos mais "dramáticos" da minha vida. Ele aos prantos, eu idem, tendo que nos separar como se ele fosse para a guerra e eu para um campo de extermínio. No sábado seguinte iríamos nos reencontrar, seriam apenas dois dias e meio de distância, mas ainda assim estávamos mal. A partir dessa quarta-feira, eu me dei conta de que não tinha mais um enteado e sim um filho.

Essa introdução foi apenas para situar vocês do nosso relacionamento. Tornamo-nos carne e unha. Ele passava todos os finais de semana conosco, inclusive Dia das Mães, Natal, Reveillon, Páscoa e qualquer outro feriadão que vocês puderem imaginar. Foi conosco que ele começou a fazer os seus primeiros deveres de casa do tipo "cole figuras ou desenhe palavras que comecem com o sonzinho de BA". Então, nunca podíamos jogar revistas fora. Normalmente esse exercício era feito nos fins de semana e a mãe deixava tudo a nosso cargo. Eu tinha verdadeira paixão por ele e nada se modificou, mesmo depois que fui mãe. Não vou dizer que eu o amo do mesmo jeito que amo a minha filha, porque seria mentira. Caso ele fosse um filho realmente adotivo que eu tivesse escolhido, tudo seria diferente, mas ele sempre teve mãe. Ainda assim, posso dizer sem sombra de dúvida que o amor que eu tenho por ele é quase o mesmo tanto que eu tenho pela minha filha. As provas de amor foram várias e sempre freqüentes. Uma vez o meu irmão disse para mim que estava duro demais e que iria comprar presente de Natal apenas para a Yasmin. Não me lembro qual era a moeda na época, mas ele disse que seria algo em torno de trinta reais. Eu disse para ele que se ele tinha apenas trinta reais, que comprasse um presente de quinze reais para a Yasmin e outro de idêntico valor para o Felipe. Jamais deixaria alguém chegar na minha festa de Natal sem presenteá-lo.

Em 1994, quando ele tinha 15 anos, passou por uma situação de um certo conflito. O marido da mãe dele foi convidado para ir para o sul do país a trabalho. Então ele deveria escolher com quem iria morar. Tanto o pai, como também a mãe decidiram que ele deveria optar com quem iria ficar e nenhum dos dois iria tentar seduzí-lo. Só que ninguém me chamou para fazer parte dessa combinação e eu, por debaixo dos panos, fiz exatamente tudo que eles decidiram não fazer. Fiz uma chantagem emocional tão elegante que ele acabou optando por morar conosco. Jamais iria deixar o meu neném ficar longe da gente. Além disso, meu marido não iria suportar ver o filho apenas nas férias escolares e feriadões. Ele poderia ficar deprimido, doença que ele já teve. Foi uma atitude tão certa de minha parte que, um ano e meio depois quando a mãe retornou ao Rio, ele ainda assim preferiu ficar conosco e só saiu de casa quando se casou.

Bom, contei um monte de histórias tatibitate, mas a minha grande prova de amor incondicional do tipo mãe pelo filho se deu no ano passado quando ele trouxe para as nossas vidas um monte de problemas que eu prefiro não entrar em detalhes, mas posso dizer que, algum dia, eu vou esquecer o ano de 2007, um dos três piores da minha existência. Ele, sem querer e por falta de experiência, nos deixou em uma situação simplesmente pavorosa. Tão ruim que o meu marido, o maior prejudicado, só falava com ele aos berros por telefone. Foi horrível, mas eu, mais uma vez por debaixo dos panos, tratei de solucionar tudo aos pouquinhos, até que quase um ano depois as armas foram arriadas.

Ele, em diversas oportunidades, já disse para mim que a mãe dele sou eu. É comigo que ele conta quando a situação aperta, não que o seu pai não lhe dê apoio, não é nada disso, mas é que o meu marido é rigoroso demais com os filhos e eu sempre acabei escondendo algumas coisas do tipo nota baixa em Física. Parentes e amigos íntimos ficaram chateados quando ele nos causou problemas. Não tiro a razão deles, mas fica aqui a pergunta que não quer calar: ele não é o meu filho? Então eu o defenderei até morrer.

Felizmente tudo está se ajeitando, nossa vida já está quase voltando ao normal. A dele ainda não, mas está chegando lá. Ele nos deu um presente mais do que lindo: o nosso netinho que só alegrias nos dá. Então, posso dizer que esse filho foi um presente que Deus me deu.

Prá terminar, gostaria de contar para vocês uma história que não tem nada a ver com a minha experiência de mãe adotiva. Conheci um senhor que foi técnico de waterpolo de um grande clube carioca. Seu pai, em mil novecentos e antigamente, conheceu uma mulher e foi morar com ela. Nunca se casaram e tiveram quase vinte filhos. O primeiro era dele com uma mulher que não sei direito qual é a história. Com menos de um ano morando com ela, um dia ele chegou em casa e disse para ela que aquele menino era filho dele e que ela deveria cuidar daquela criança como se fosse mãe. A mulher concordou. Depois disso, eles tiveram esse monte de filhos. Ele morreu e ela ainda durou alguns anos, até que também morreu. Eu fui ao enterro dela e tive a oportunidade de presenciar uma das mais dramáticas e belas cenas de toda a minha vida. Enquanto estava todo mundo estava mais ou menos tranqüilo com a morte daquela senhora com não sei quantos anos de vida, o único que fez um verdadeiro escândalo foi justamente o mais velho que não era filho dela. Ele enlouqueceu de dor e queria ser enterrado junto com a mãe. Filho é de quem mesmo?

Beijocas

Yvonne



Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

Adocao


Blog do Miguel: Prosa e Verso

Ela está baseada em fatos reais e foi escrita com as tintas do coração.

ADOÇÃO = CARMA?

É preciso, claro, primeiro conhecer os fatos para concluir com certeza sobre o título. Assim sendo, sem maiores preâmbulos, vamos aos fatos:

Ano de 1963:

Dona Tereza (minha saudosa mãe) com 2 filhos já bem criados, ainda se ressente da perda de uma filha que foi abortada. Lembra-se, sempre, de uma decisão tomada quando do ocorrido, se Deus permitisse, adotaria uma menina.
Os anos haviam passado e a decisão, por uma série de motivos, era sempre adiada.

Neste ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, Dona Tereza consegue contato com um sacerdote católico que se dedicava a promover benefícios às mães-solteiras e outros que tais. Por volta do mês de Julho, foi informada que uma moça, com quem ela nunca teria contato, estava grávida de uma menina e, por falta de condições financeiras e familiares, tinha concluído que daria a filha em adoção tão logo ela viesse à luz e, depois, voltaria para seu local de origem.

Todos os acertos foram alinhavados e a família Chammas passou a aguardar com total ansiedade o nascimento da pequerrucha. Foi uma gestação familiar, se assim posso denominar, onde o Sr. Alfredo, a Da. Tereza, eu, o Antonio Carlos meu irmão, meus primos Roberto e Sonia (na época, órfãos e continuando a morar conosco), minha única tia por parte de pai a Zazá e seu esposo o João e todos os outros agregados se consideravam pai e mãe da esperada menina.

Ano de 1964:

Dia 29 de janeiro o telefone dos Chammas tilinta e eles são avisados que a tão esperada menina nascera. Era perfeita e eles deveriam se preparar para ir buscá-la na maternidade no dia seguinte.

Na data aprazada, fomos para lá minha mãe e eu. A Maternidade, cujo nome não me recordo, ficava no início da Rua Voluntários da Pátria, em Santana. Ali chegando, fomos recebidos por um representante do sacerdote que já havia tomado todas as providências e nos entregou o tão esperado bebe, enrolado numa manta simplesinha. Não tivemos qualquer contato com a mãe biológica e nunca soubemos seu nome ou endereço. Junto com a criança, nos foi entregue uma declaração com os dados para que providenciássemos os registros legais, o que foi feito de imediato constando como pais naturais o Sr. Alfredo e a Da. Tereza. Ludibriavam-se assim as determinações legais e toda a burocracia envolvida.

A menina cresceu forte, linda e totalmente ignorante de sua real origem. O carinho com que era cercada, as atenções que recebia, a inteligência largamente comprovada, fazia daquela menina um sonho transformado em realidade.

Um dia, nuvens negras começaram a toldar o lar dos Chammas. Ameaças de contar a verdadeira origem daquela princesinha surgiram e foram pretensamente afastadas. Como diz o ditado “a mentira tem perna curta”, um dia essa menina soube por terceiros sua verdadeira história.

O choque de saber-se filha adotiva não foi grande, grande foi o choque de saber que os pais, irmãos e parentes próximos, em quem ela sempre confiara, a haviam enganado. Essa constatação, por mais que ela tivesse tentado entender, marcou muito no seu âmago.

Um dia, essa menina, sempre querida e cuidada, instruída, cônscia dos problemas do mundo e da maldade dos homens, cai em tentação e, da mesma forma que a mãe biológica, engravida, ainda na solteirice de sua adolescência.

A família, consciente do fato, lhe dá todo o apoio. Eu, seu irmão, com 24 anos mais velho do que ela, lhe dou total guarida e lhe prometo tudo de melhor durante a gravidez e depois dela, infinitamente.

O cérebro humano é bastante enigmático, sabe-se lá o que e como toda aquela situação se apresentou no intelecto daquela menina-moça. A princípio, ela aceitou a situação e trouxe à luz um lindo e forte garoto. Depois, desandou a fazer bobagens, a viver uma vida para a qual não havia sido preparada.

O filho, inocente, passou a ser relegado e, um dia, ainda morando em minha casa, ela saiu para comprar pão e não mais voltou. O filho havia ficado no berço e junto a ele um bilhete em que dizia não estar mais suportando a situação e nos entregava o garoto da mesma forma que a mãe a tinha entregado.

A principio tentei demove-la da decisão. Percebendo, com o passar do tempo que não poderia alterar a situação, decidi que adotaria o garoto, mas o faria dentro das formas legais.

Foi o que fiz, junto com ela, meus pais e minha esposa, perante o juiz, regularizamos toda a situação e o menino passou a ser nosso filho (meu e de minha esposa).

Para não incorrer no mesmo erro de meus pais, desde a mais tenra idade fui mostrando a esse menino que ele, mesmo não tendo saído da barriga de sua mãe, era tão ou mais filho nosso do que suas irmãs, uma vez que ele nos havia sido oferecido por Deus e por nós escolhido.

Surpreso, percebi que ele, por mais tentativas nossas em discutir ou conversar sobre a sua situação de filho adotivo, ele se recusava, peremptoriamente, a qualquer tipo de abordagem ao tema.

Preocupados, depois de um pouco mais velho, o levamos a uma psicóloga infanto-juvenil que, depois de várias sessões, concluiu que ele era perfeitamente normal, que nos considerava realmente como seus verdadeiros pais, por nos amar de paixão e, simplesmente, por causa desse amor, não pretendia discutir nada a respeito de sua adoção que ele considerava inexistente.

Aceitamos a decisão por ele tomada e a paz reina entre nós, até esta data. Graças a Deus, não cometi o mesmo erro pela segunda vez e fui, assim, agraciado com o amor eterno desse filho querido que, mesmo depois de ver o casamento de seus pais terminado, segue nos amando e respeitando sem quaisquer restrições.

Por causa desses fatos é que o título desse texto é ADOÇÃO = CARMA?

Conclusões e arremates:

Este depoimento eu faço para atender a conclamação de meu considerado Dácio e da caríssima Geórgia para uma blogagem coletiva sobre o tema ADOÇÃO. Espero tenha atendido aos anseios dos promotores.

A mãe biológica, minha irmã, hoje já voltou a ter contato com ele que nutre por ela apenas o carinho dedicado a uma tia, irmã de seu pai, de quem só há muito pouco tempo teve conhecimento.

Finalmente, na madrugada do dia 1º de Janeiro de 2005, por decisão única e exclusiva do meu filho, numa conversa nossa ao redor de umas várias cervejas bem geladas, ele me perguntou sobre detalhes da sua história e origem. Coisa que fiz com todas as minúcias necessárias. Essa conversa terminou quando o sol da manhã chegou para ocupar, com sua claridade, o quintal de minha casa. Um grande e forte abraço foi trocado entre esses dois amigos e eu recebendo, ainda, um beijo carinhoso desse meu filho, já homem feito.


Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

domingo, 9 de novembro de 2008

Adocao no ar!!!


Dácio Jaegger - Autor do selo

Faltam poucos minutos para o grito de largada!!!

Já coloquei por aqui alguns posts que chegaram.

A intencao é ao menos deixar uma amostra de como os nossos posts sobre o assunto Adocao vai ficar.

Os novos posts só entrarao no Blog Blogagem na semana que vem. Por quê?

Para que todos possam comentar sobre o assunto nos próprios blogs. Senao, ficará difícil administrar todos os comentários.

Quando a blogagem terminar, entao eles serao deslocados para cá com a sua permissao.


Aquele que nao quiser ter o seu post aqui, bastará nos avisar quando nós te visitarmos dizendo que o estamos trazendo para cá.

O Dácio contou quantos participantes. Até agora sao 131. Digo o Dácio, porque sinceramente nao tive coragem para fazê-lo, rs.
Acho um número expressivo, pois, o assunto é extremamente difícil de ser lidado e muita gente nao quis escrever sobre isso, exatamente por ter um peso enoooooorme.

Nós agradecemos a todos que aderiram a blogagem e a todos os que se manifestarao lendo as postagens e comentando sobre o assunto "Adocao".
Esperamos com isso, aprendermos mais sobre isso e também perdermos os medos sobre esta questao: "Adocao".

Um grande abraco do Dácio e da Georgia

Lista por ordem de quem já postou: (por favor, clicar no nome para que o link do blog da pessoa possa abrir, obrigada)

Lista por ordem de quem já postou:

Christi Xavier ; Adao Braga ; Ronaldo ; Edu ; Clarisse ; Patty ; Jorge C Reis; Roseli ; Adélia Thereza ; Andréa Motta ; Ceci ; Lou ; Fábio Mayer ; Cejunior ; Sahr Rubia ; Denise BC ; Lino ; Zeca ; Jens ; Luma ; Marlene Mora ; Renata ; Kall ; Talma ; Talma 2 ; Loba ; Milouska ; Nadja ; Xandih ; DD^^ ; Maria Augusta ; Paulo ; Adelaide Amorim ; Iza ; Célia Malmqvist ; Sonia Horn ; Joana ; Bete ; Soninha ; Meire ; Xico Lopes ; Vilma ; Cris Santos ; Nanda ; Isabel Cristina ; Ana Lúcia ; Bia Mendonca ; Cidao ; Cris ; Célia Rodrigues ; Fátima Queiroz ; Ro Costa ; Vivi Bastos ; Regina C ; Adriana ; Maristella ; Cris Penaforte ; Nina ; Aninha ; Valéria Kurak ; Alê ; Vilma2 ; Georgia2 ; Roseli Venâncio ; Loba2 ; Loba3 ; Loba4; Talma ; Rosane ; Alice ; Serena ;JR ; Veridiana Serpa ; Robson Ribeiro ; Rosa ; Al Kantara ; GuGa ; Adelino ; Ana Lúcia ; Semíramis ;
S. Alencar ; Marcos Santos ; Gi ; Adri ; Roberta.rj ; Rafi ; Paula ; Regina C ; Vanessa ; Anny ; Ana Lúcia ; Roberta.rj2 ; Juca ; Allan ; Mirella ; R. Coeli ; Jota Effe Esse ; Georgia4 ; N@n@ ; Georgia 5 ; Cristiane Fetter ; Cybele Meyer ; Elena Fletcher ; Márcia Freddy ; Margaret ; Zabelinha ; Guilherme ; Lunna ; Joana ; Nina ; Elvira ; Célia M ; Simone de Lima ; Moura ; Sam Shiraishi ; Dalva ; Tatah ; Herbert ; André L. Soares ; Rita Costa ; Flavio Vieira ; Luiz ; Mary ; Nangba ; Sueli ; Tamara ; Vitória ; Ery Roberto ; Ronald ; Claudya ; Majoli ; Susi ; Shamatar ; Cilene Bonfim ; Cam ; Nadja Saori ; Lucy Lordelo ; Nilda ; José Jaime ;

Adocao: Nossa História

Blog da Paula: Epinion

Como tudo aconteceu

Eu estava calmamente trabalhando quando, às 14h, a Assistente Social (AS) ligou do Fórum. Achei que ela queria falar sobre o Cadastro Único, mas ela queria saber se tínhamos interesse em ir ao Fórum ver o processo de um menino de menos de um mês.

“Menos de um ano!?”, perguntei espantada.

“Não, menos de um mês.”

Como nosso perfil era de 2 crianças de até 6 anos de idade, achei estranho. Mas, como aceitávamos doenças tratáveis, imaginei que o bebê poderia ter algum problema e ter sido rejeitado por outras pessoas na fila.

“Ele já fez todos os testes de saúde, inclusive neurológicos, e é saudável”, a AS dissse.Saí correndo do trabalho — meu chefe pensou que eu estava com dor de barriga…e estava! –, peguei o Paulo em casa e lá fomos para o Fórum. Lemos atentamente todo o processo do bebê, e a AS nos informou que um motoboy estava a caminho do Fórum com uma foto.

“Queremos ir no abrigo”, dissemos, e a AS riu espantada: “Vocês não querem nem ver a foto?” Não era necessário. Naquele momento, já sabíamos que era o nosso filho.Enquanto a AS preparava a autorização de visita e desabrigamento, a foto chegou e ficamos ainda mais apaixonados. O bebê era, além de tudo, lindo.Deixamos o carro em casa e pegamos um táxi para o abrigo. Primeiro porque somos perdidos em SP, nosso GPS estava sem bateria e o abrigo era num quebradão qualquer que desconhecíamos. Segundo porque não havia a menor possibilidade de nenhum dos dois dirigir, tamanho era nosso nervoso.Chegamos lá e esperamos que trouxessem o bebê, enquanto conversávamos com as funcionárias uniformizadas. O abrigo era limpo, pintadinho, bem cuidado, e as funcionárias eram todas simpáticas. Tudo parecia um sonho — e era!

Nosso filho chegou, embrulhado numa manta peludinha, e era tão tão tão pequenininho que tomamos um susto. Um susto bom, claro, como todos naquele dia. As funcionárias saíram da sala para nos deixar à vontade para “conversar”, mas não era preciso conversar sobre nada. Só queríamos saber o que precisávamos fazer para levar o nosso filho pra casa, imediatamente.Ligamos para a AS, que nos deu instruções, e em menos de meia hora saímos do abrigo com o Davi, nosso filho, com a roupa do corpo. Em casa, nada esperava por ele além do nosso amor. Nenhum enxoval, nenhum berço, mamadeira, fraldas, nada nada nada. E nada disso importava.Às 14h recebemos a ligação da AS. Às 17h estávamos em casa com o Davi. Em três horas, passamos por nove meses de gravidez, trabalho de parto e alta.Depois de uma correria para comprar mamadeira, fraldas e leite, recebemos a visita da Nacráudia — e do Guilherme, dentro dela –, com roupinhas e presentes pro Davi, do amiguinho que ainda nem nasceu. Outras amigas mães me davam dicas pelo telefone do que eu precisaria comprar no dia seguinte.O tempo todo, olhávamos para ele e não acreditávamos que era nosso (essa sensação, aliás, durou vários dias…ainda tem horas que volta!). Na sua primeira noite, Davi dormiu num futton, e eu sentada do lado dele, olhando, incrédula, perdidamente apaixonada, eternamente agradecida a Deus, ao Universo, a tudo o que nos colocou juntos nessa vida.E no momento em que o meu filho segurou minha mão pela primeira vez, toda a minha fé, a fé de uma vida toda, fez sentido.

Fazendo parte da blogagem:

Adocao, um ato de nobreza!


Caso nao queira seu post aqui, por favor fazer contato. Obrigada.