quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Filho adotivo




Valéria Kurak do blog: Reino das Letras

Filho Adotivo


A Tati dessintonizada está participando da blogagem sobre adoção promovida pelo pessoal do blog Saia Justa. Eu decidi participar também. Se você quiser fazer parte da ação, deve escrever um post sobre o assunto e mandar para eles até dia 15 de novembro.

Sempre que alguém fala comigo sobre adoção, uma canção sertaneja me vem à memória: Filho Adotivo do Sérgio Reis. Pois é, cresci ouvindo as músicas sertanejas que meu pai colocava no toca-fitas do carro, quando viajávamos para nosso sítio em Pirapora do Bom Jesus. Viajávamos muito para plantar alface, agrião, rúcula, mudas de árvores frutíferas e colher limões dos limoeiros plantados pelo antigo dono das terras. Minha infância passei entre praia e sítio ouvindo Sérgio Reis, Milionário e José Rico, Tonico e Tinoco e Zé Betil todos os dias de manhã: " Acorda gordo !!!!!! Joga água nele !!!!! " Bons tempos.

Aqui em Pirituba, antiga fazenda do Sr. Pereira Barreto, também local da antiga casa de campo da Marquesa de Santos, cultivávamos hábitos bem interioranos. Os habitantes daqui guardam até hoje muitos costumes e crendices do tempo em que tudo isso era mato. Pirituba, por exemplo, significa grande quantidade de taboas (vegetação de brejo encontrada onde hoje é a estação de trens). Nosso bairro, quase cidade, tem muitos casos de crianças adotivas e isso hoje é um orgulho para todos, mas nem sempre foi assim. Filhos adotivos não eram muito comuns, acredito que tenham sido novidade para muitos.

Há uns quarenta anos, um conhecido nosso adotou um menino, mas não quis contar-lhe que era adotivo, não quis estragar as ilusões infantis de família perfeita que o garoto tinha, mas claro, algo de diferente se notaria rapidamente, o garoto não tinha a mesma cor de pele dos pais. Pais estrangeiros, muito loiros, com um filho moreno, como pode? Bairro pacato, quase cidade do interior, todos sabem da vida de todos e querem dar lá seus pitacos. Qual não foi a surpresa quando o menino chegou chorando da rua por ter ouvido os coleguinhas cruéis, sim porque as crianças são cruéis você sabe, dizendo: "adotivo, adotivo, adotivo!!!"

A continuação da história você já deve imaginar... mas o que importa é que hoje ele é um homem feliz, casado, pai de família. Seus pais já não vivem, mas deixaram um grande exemplo de amor, abnegação e nobreza.

FILHO ADOTIVO

COM SACRIFíCIO EU
CRIEI MEUS SETE FILHOS
DO MEU SANGUE ERAM SEIS
E UM PEGUEI COM QUASE UM MÊS


FUI VIAJANTE, FUI ROCEIRO, FUI ANDANTE
E PRA ALIMENTAR MEUS FILHOS
NÃO COMI PRA MAIS DE VEZ

SETE CRIANÇAS
SETE BOCAS INOCENTES
MUITO POBRES MAS CONTENTES

NÃO DEIXEI NADA FALTAR

FORAM CRESCENDO
FOI FICANDO MAIS DIFÍCIL
TRABALHEI DE SOL A SOL
MAS ELES TINHAM QUE ESTUDAR


MEU SOFRIMENTO
AH, MEU DEUS VALEU A PENA
QUANTAS LÁGRIMAS CHOREI
MAS TUDO FOI COM MUITO AMOR

SETE DIPLOMAS
SENDO SEIS MUITO IMPORTANTES
QUE ÀS CUSTAS DE UMA ENXADA
CONSEGUIRAM SER DOUTOR

HOJE ESTOU VELHO
MEUS CABELOS BRANQUIARAM
O MEU CORPO ESTÁ SURRADO
MINHAS MÃOS NEM MEXEM MAIS




USO BENGALA
SEI QUE DOU MUITO TRABALHO
SEI QUE ÀS VEZES ATRAPALHO
MEUS FILHOS ATÉ DEMAIS

PASSOU O TEMPO
EU FIQUEI MUITO DOENTE
HOJE VIVO NUM ASILO
E SÓ UM FILHO VEM ME VER


ESSE MEU FILHO
COITADINHO, MUITO HONESTO
VIVE APENAS DO TRABALHO
QUE ARRANJOU PARA VIVER

MAS DEUS É GRANDE
VAI OUVIR AS MINHAS PRECES
ESSE MEU FILHO QUERIDO
VAI VENCER EU SEI QUE VAI

FAZ MUITO TEMPO
QUE NÃO VEJO OS OUTROS FILHOS
SEI QUE ELES ESTÃO BEM
E NÃO PRECISAM MAIS DO PAI

UM BELO DIA ME

SENTINDO ABANDONADO
OUVI UMA VOZ BEM DO MEU LADO

PAI EU VIM PRA TE BUSCAR
ARRUME AS MALAS
VEM COMIGO POIS VENCI
COMPREI CASA E TENHO ESPOSA
E O SEU NETO VAI CHEGAR



DE ALEGRIA
EU CHOREI E OLHEI PRO CÉU
OBRIGADO MEU SENHOR
A RECOMPENSA JÁ CHEGOU

MEU DEUS PROTEJA
OS MEUS SEIS FILHOS QUERIDOS
MAIS FOI MEU FILHO ADOTIVO
QUE A ESTE VELHO AMPAROU

"Adoção, um ato de nobreza!" - Blogagem Coletiva sobre adoção de crianças e adolescentes. Ocorrerá nos dias 10 a 15 de novembro de 2008. Participe! É só avisar sobre seu post no blog Saia Justa.

Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

Caso nao queira seu post aqui, por favor fazer contato. Obrigada.

Adocao


Alê do blog: Adolescentes ibon (prov. 2:7)



Quando a Geórgia nos convidou para a blogagem coletiva sobre Adopção Um Acto de Nobreza gostei demais da iniciativa porque considero o assunto importantíssimo e uma das pessoas em que pensei imediatamente foi em minha amiga Solange, da nossa igreja.
Solange trabalha com a parte social da Orla, é agitada, sempre correndo prá lá e prá cá.
Há quase 10 anos atrás, quando já tinha 2 filhos biológicos Solange realizou um sonho.
Em meio a grande correria, na coordenaçao de uma creche que implantara na sua então igreja, a igreja batista do Maracanã (creche que ainda existe hoje e atende a 160 crianças) ela adotou uma criança.
Solange sempre falou que seria assim.
Samara foi abandonada e com 2 dias já foi acolhida por Solange.
Seu nome foi escolhido - Samara - guiada, protegida por Deus!
Solange fala sempre da importância da verdade.
Desde cedo, Samara soube sua história.
Afinal, muito esperta, queria saber "por que sou marrom-bombom e mamãe é loira??"
Algumas frases da Solange que me fazem refletir:
"Todo filho, mesmo biológico, precisa ser adotado!"
"Você pensa que vai abençoar, mas é você que é abençoado!"
Samara é uma benção para Solange!
Samara é uma benção para os seus irmãos!
Samara é uma benção para nós!
Samara tem comprometimento com Deus e com seus quase 10 aninhos trouxe alegria e surpresas incríveis para a vida de muita gente.
E a atitude da Solange com certeza, foi determinante para isso.
Não tenho dúvidas de que, quando você se doa, é você que é abençoado!
E a engrenagem que faz tudo isso funcionar é o amor!
beijos,
AlêFazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

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Adocao é Amor!

Aninha do blog: O meu jeito de ser

Adocao é amor!


Prometi para a Geórgia que falaria algo, sobre a blogagem de adoção.

Confesso que não tenho particularmente nenhuma experiência para falar, porém tenho alguma pessoas de minha família, que fizeram adoção, e o que eu vejo, é que amor de pai e mãe, é uma coisa incrível.
Brota.
Quantos filhos você tenha, o amor, brota, cresce, incondicionalmente.

Ilda, minha cunhada, começou a cuidar de uma criança, ganhava para isso. O pai da criança precisava trabalhar, e a mãe havia abandonado pai e os filhos.
Frank, com 1 ano e meio.
E Frank foi ficando, as vezes o pai chegava tarde e não vinha apanha-lo, e foi ficando, até que o pai não veio mais.

Sem burocrocacia, sem papelada, apenas foi sendo deixado, segundo ele, aos cuidados de quem ele via já tinha amor pelo seu filho.
Não preciso nem dizer, que Frank conquistou a todos, que se transformou na paixão da casa.

Meu irmão e cunhada, tinha dois filhos. Frank foi o terceiro.
Alguns anos depois, com a autorização do pai biológico e da mãe que reapareceu, conseguiram a adoção legal.
Hoje com 14 anos, é o companheiro dos dois, uma vez que os dois filhos mais velhos já estão casados.

Amor por Frank? É impressionante, o quanto existe.

Mais dois casos na família, mais um irmão que adotou uma filha dessa mesma forma, e um sobrinho, que adotou um filho, este num abrigo para menores. Nesse caso, houve todo um trâmite da justiça, mas não acompanhei muito de perto.

Acho importantíssimo essa disponibilidade de amar, essa aceitação verdadeira que existe numa adoção.
Amor por uma criança, é muito fácil de sentir, eles são cativantes. Mas é também um assunto muito complexo.
Existe muito sentimento, as vezes conflitantes.

Digo isso, por que vejo muitas vezes, uma confusão de sentimentos do bem. Ele foi adotado.
Embora tenha certeza do amor, carinho, gratidão que sinta pelos pais adotivos, que já se foram, há o questionamento: Não teria sido melhor que eu tivesse ficado e crescido junto aos meus?

Foi separado da família biológica, cresceu longe da mãe e dos irmãos, e hoje sente uma certa distância dos mesmos. Por mais que queira se sentir próximo, não houve convivência, não houve por anos a fio cumplicidade, carinho e troca de amor.
Eu, particularmente, se pudesse adotaria não um, mais quantos fosse possível. A questão aqui no meu post, é a possibilidade de amar. E como eu disse no início, o amor brota, como planta em terra fértil, não acaba nunca.

Este post faz parte da blogagem coletiva proposta pela Geórgia e Dácio

Fazendo parte da blogagem: Adocao, um ato de nobreza!

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Adocao - Que tipo de pai ou mae você quer ser?


Iza do blog: Diário de Iza


Professoras de criancinhas tem de ser como mães, não podem escapar disso. Uma vez perguntei a uma colega sem filhos, porque não adotava um filho e ela disse: "Me sinto mãe de meus alunos, de todos que passaram por mim". E realmente é assim... acabamos por dedicar mais tempo aos alunos do que aos filhos em casa. e nos sentimos mães. Aos meus alunos, corrigi-os até mesmo na rua. "Professora eu não tô na aula". Amanhã, na aula falamos sobre isso.

E para falar sobre isso, a adoção e o tipo de pai ou mãe que se quer ser que aceitei com todo carinho participar da blogagem coletiva. Adoção, um ato de nobreza. A convite de Geórgia e Dácio que fizeram um blog exclusivo para isso o blog-blogagem.

Se você quer ter um filho precisa escolher o tipo de pai ou mãe que quer ser. Isso vai influenciar em todo processo de construção da personalidade da criança a ser adotada.

Frequentemente ouço pessoalmente ou os colegas me falam de frases de pais ou mães que ( conscientes ou não que a criança esteja ouvindo tudo que estão dizendo) dizem:

  • "Não, o Betinho não é meu filho verdadeiro, a mãe dele , deu ele para mim criar e eu não sei o que faço com ele. A senhora é quem sabe, quer puxar orelha pode puxar."
  • "Professora, a Clarinha não sabe que é filha adotiva, estou dizendo para a senhora porque alguns vizinhos sabem, espero que quando ele estiver com quinze anos compreenda melhor quando eu disser que a mãe verdadeira não sou eu."
  • "Tu já sabes, se não te comportares bem em aula , te mando para o teu pai verdadeiro e com ele é na base da porrada."
  • "Peguei essa criança para criar quando ela tinha dois meses, os pais estão presos, sempre disse que não era a mãe verdadeira e agora ele está apresentando uma série de problemas que não consigo resolver. Quando ele fizer 18 anos...vai para rua, não quero nem saber.
  • A Maria, professora, não é minha filha verdadeira, é muito diferente dos filhos que saíram da minha barriga. Saiu igual a mãe verdadeira, uma ladra.
  • O Miguel soube aqui na sala de aula que não é meu filho legítimo, quero saber quem contou, professora/ agora ele não quer vir mais a aula.

As frases acima são frases de pais que não estão preparados para adotar ou criar uma criança. Confundem a ideia de ser pai ou mãe. analisam apenas a parte biológica do processo.
Para adotarmos ou gerarmos um ser temos que levar em conta a dificuldade que possamos ter com as definições: Pai ou mãe verdadeiros ou de criação. Pai ou mãe biológico ou pai ou mãe psicológico.
O estado de ser pai ou mãe é valorizado e compreendido se psicologicamente nos sentirmos pais ou mães daquele ser que está aos nossos cuidados.
Existem coisas que se respeitadas desde o início da criação ajudarão muito tanto a você que deve sentir-se pai ou mãe de verdade quanto a compreensão da criança quanto a sua identidade.
Sempre que surgir a oportunidade e surge bem cedo, muitas vezes aos cinco anos, conte através de uma historinha que existem mães que carregam os filhos na barriga e outras mães que não podem carregar seus filhos na barriga e os escolhem e que ele ,o filho psicológico, foi escolhido por ela e seu marido.

  • Não diga por aí que não teve filhos verdadeiros, porque tudo que não é verdadeiro automaticamente passa a ser de mentira e seus filhos adotivos irão pensar que são de mentira. Imagina a confusão que isso há de causar.
  • Ser pai ou ser mãe está muito além da união do óvulo com o espermatozóide.
  • Para ser um bom pai e uma boa mãe independente deste filho ter sido gerado ou escolhido em um berçário é estar psicologicamente preparado para sentir-se pai ou mãe.

Conheço um casal onde a mãe solteira na época teve um filho e o pai nunca quis saber da criança. A mãe demorou uns seis anos para conhecer uma novo homem. Este homem é o amor da vida da mãe e foi sentindo-se pai psicológico da criança chegando até a registrá-la no nome dele. A união dos três e as verdades não escondidas fez com que aos 25 anos, este filho saiba quem foi o dono do espermatozóide que engravidou a mãe mas, para ele pai verdadeiro é o psicológico, ou seja, aquele que cria.

Se você está naquela ansiedade, há muito tempo, para engravidar ou ter um filho de sua própria biologia lembre-se:

Ser pai ou mãe vai além de saber como é o rostinho da criança que nasceu de seu útero, de seu espermatozóide.

Você precisará estar psicologicamente preparado para isso também.

E quem sabe, as coisas não se tornem mais fáceis se você adotar, porque além de ser um ato de nobreza, psicologicamente não há diferença nenhuma é é isso que toda criança deve saber ao ser adotada.


De qualquer maneira o filho que criamos é nosso; é sempre verdadeiramente nosso filho.
Beijos!


Uma observação muito importante feita por Georgia, que não posso deixar de colocar aqui:

Concordo com você que pais adotivos devem desde cedo contar a eles através de
uma historinha que ele tb é adotivo. No seu texto vc diz que há maes que podem
trazer filhos na barriga; eu acrescentaria que maes que nao podem trazer filhos
na barriga, podem trazê-los no coracao, é lá que ele cresce no momento em que se
deseja adotar.


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Adocao, um ato de nobreza!



Xandih do blog: [reticências]

Adocao, um ato de nobreza!

Esta é a semana da Blogagem Coletiva. É a minha primeira participação (y)

O tema da vez é Adoção e muitos blogs farão posts sobre o assunto durante toda esta semana. Ao final do post você pode acompanhar todos os blogs que participarão.

Bom, como eu não tive nenhuma experiência com adoção em toda a minha vida, nem faço idéia de como proceder, é justamente sobre isso que eu vou escrever: O que é preciso para adotar uma criança?

Acredito que muita gente tenha essa dúvida e talvez a falta dessa informação, ou melhor, o fato dessa informação não ser de tão fácil acesso, seja um dos motivos pela decisão das pessoas em desistir de adotar.

Pesquisando esse assunto, encontrei no Adoção Brasil um FAQ explicando justamente isto :)

Então, vamos às perguntas:

  1. Como deve proceder a pessoa que deseja se inscrever como pretendente a adoção?
  2. Primeiramente, deve se dirigir ao Fórum de sua cidade ou região, com o seu RG e com um comprovante de residência. Receberá informações iniciais a respeito dos documentos necessários para dar ontinuidade ao processo. Após análise e aprovação dos documentos, entrevistas serão realizadas com a equipe técnica das varas da Infância e da Juventude, que consiste de profissionais da área da psicologia e do serviço social.

  3. É possível se inscrever em mais de uma Vara e em regiões que sejam distantes do endereço
    de residência do adotante?
  4. Isto varia de estado para estado. O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (SIPIA III), que é um sistema nacional de registro e tratamento de informação, foi criado pelo Ministério da Justiça para subsidiar a adoção de decisões governamentais sobre políticas para crianças e adolescentes, garantindo-lhes acesso à cidadania no que diz respeito à colocação familiar, na forma de adoção, seja por pretendente nacional ou estrangeiro. Sua implementação permitirá a necessária centralização de dados em todo o território nacional.

  5. Pode-se adotar por procuração?
  6. Não. De acordo com o ECA, é vedada a adoção por procuração.

  7. Qual é a função das entrevistas?
  8. As entrevistas visam conhecer as reais motivações e expectativas dos candidatos à adoção. A preocupaçãoda equipe técnica das varas da Infância e da Juventude, psicólogos e assistentes sociais, é de buscar, por meio de uma cuidadosa análise, se o pretendente à adoção pode vir a receber uma criança na condição de filho. A partir disto, as entrevistas objetivam conciliar as características das crianças/adolescentes que se encontram aptas à adoção com as características das crianças pretendidas pelos adotantes; identificar possíveis dificuldades ao sucesso da adoção e fornecer orientações. Por exemplo, às vezes os candidatos à adoção não podem ou não desejam fazer uma adoção nos moldes tradicionais, porém, gostariam de ajudar crianças/adolescentes. Nestes casos, eles serão orientados a encontrar outros caminhos, como a guarda, os sistemas de apadrinhamento e a realização de ações solidárias. Aos profissionais que trabalham com adoção cabe a responsabilidade de entregar crianças que estão sob a guarda do Estado, cuidando para que a adoção se processe dentro de padrões éticos.

  9. O candidato reprovado pode se inscrever novamente?
  10. Os candidatos reprovados estão subdivididos em dois grupos: inaptos e inidôneos. Os inaptos são aqueles considerados insuficientemente preparados para a adoção. Estes poderão ser indicados para alguns serviços de acompanhamento, apoio e reflexão para candidatos à adoção e poderão ser reavaliados futuramente pela Vara. Já os inidôneos são aqueles que cometeram faltas ou dee que representariam riscos para a criança que viessem a adotar. Estes são excluídos definitivamente do cadastro de pretendentes à adoção.

  11. Quais os motivos mais comuns para que a Vara encaminhe o pretendente para os grupos de reflexão?
  12. São vários. Por exemplo, os profissionais da Vara podem perceber que a expectativa do pretendente à adoção é que o filho possa manter um casamento que está em crise. Outras vezes, os pretendentes vivem um grande luto e imaginam que, pela adoção, este processo poderá ser atenuado. Às vezes, ainda não se esgotaram todas as possibilidades do processo de gravidez, mas, pela ansiedade do processo, o casal pensa que, adotando, consiga relaxar e, posteriormente, engravidar. Embora não sejam necessariamente motivos impeditivos para se adotar, a cada caso, o psicólogo e a assistente social avaliarão se é necessária uma maior reflexão sobre essa motivação.

  13. Após ser considerado apto para adoção, quanto tempo leva até que o candidato encontre uma criança/adolescente que se adapte ao seu perfil?
  14. É muito variável. Inicialmente o candidato passa a integrar o cadastro de habilitados. O estudo psicossocial será confrontado com o cadastro de crianças disponíveis à adoção daquela comarca. É muito mais fácil encontrar uma criança que se adapte ao perfil de um candidato que tenha poucas restrições quanto à criança/adolescente que se disponha a adotar. De todo modo, depois de uma apreciação favorável da criança indicada pelos profissionais da Vara, o pretendente poderá encontrar-se com ela na própria Vara ou no abrigo, no hospital, conforme a decisão do juiz. Após este momento, o processo varia, respeitando-se as condições da criança. Recomenda-se uma aproximação gradativa, tendo em vista que a adoção é um processo mútuo, que exige tanto uma despedida dos vínculos estabelecidos até então, quanto um tempo de construção de novas relações. Segundo o ECA, se a criança tiver menos de um ano de idade ou se já estiver na companhia do adotante com vinculação afetiva suficientemente constituída, este estágio será dispensado. No caso de adoção internacional, este estágio deverá ser cumprido em território nacional e ser de, no mínimo, 15 dias para crianças de até 2 anos de idade e de, no mínimo, 30 dias para crianças acima de 2 anos. O estágio de convivência é acompanhado pela equipe psicossocial por meio de entrevistas periódicas. A sentença judicial de adoção será lavrada somente após o término do prazo estabelecido pelo juiz.

    Repentinos desacolhimentos, quando os fortes vínculos estabelecidos entre criança e abrigo são drasticamente quebrados, comprometem novos investimentos amorosos da criança/adolescente, além de causar muito sofrimento para os que ficam: colegas e cuidadores.

  15. Quais os requisitos para adoção internacional?
  16. Comprovação documentada do país de domicílio de habilitação para adoção, segundo a legislação local; estudo psicossocial realizado por agência especializada e credenciada no país de origem; estudo prévio e análise dos documentos enviados para a CEJA/CEJAI e estágio de convivência entre adotando e adotado.

  17. Em que circunstâncias o adotando tem o direito de consentir ou discordar da adoção?
  18. A adoção dependerá da concordância do adotando quando ele tiver mais de 12 anos de idade. Porém, independentemente da idade, sempre que possível, deve-se considerar a opinião da criança ou adolescente. É importante que se possa investir na formação de um vínculo afetivo entre a criança e os candidatos a pais adotivos antes de concluído o processo de adoção. A aproximação gradativa e o estágio de convivência, previsto no ECA, têm essa finalidade.

  19. Quem adota pode escolher a criança/adolescente que quer adotar ou é obrigado a aceitar aquela que lhe destinam?
  20. O candidato deve ser o mais sincero possível ao explicitar suas expectativas e motivações em relação à criança/adolescente que venha a adotar e quanto a suas restrições. Isto possibilitará que os profissionais da Vara busquem encontrar um melhor arranjo possível, evitando desentrosamentos entre crianças/adolescentes e seus futuros pais. Se o pretendente não aceitar adotar nenhuma das crianças ou adolescentes que estão disponíveis para adoção, poderá optar por aguardar até que apareça uma que melhor corresponda às suas expectativas e motivações.

  21. Que procedimentos favorecem a constituição de vínculos afetivos entre o adotando e os candidatos a pais adotivos?
  22. A lei determina um estágio de convivência entre adotado e adotante, considerando-se que a separação do ambiente anterior e a criação de novos vínculos demandam tempo. Especialmente quando a criança/adolescente está há muito tempo institucionalizada, este tempo deverá ser ainda maior, pois ela aprendeu a se reconhecer nesta instituição, com um sistema de regras, normas e valores específicos, que são parte constituinte da sua subjetividade. É importante respeitar o tempo que ambos os lados, criança e família, levarão para responder às diversas questões que poderão emergir nesse encontro.

    Todos os pais, adotivos ou biológicos, assumem riscos, criam expectativas e sonhos em relação aos filhos. Surpresas, dificuldades e decepções sempre poderão ocorrer, de ambas as partes. Diante das dificuldades encontradas, alguns pais experimentam a fantasia de devolvê-los. Apesar da irrevogabilidade da sentença da adoção, a devolução da criança ou do adolescente é uma realidade em alguns contextos da adoção e compromete a continuidade do vínculo pais/filhos. A ameaça de que venha a ser devolvido imprime na criança/adolescente uma reedição de sua vivência de abandono, trazendo dor e sofrimento a todos os envolvidos.

  23. Como se dá a legalização da adoção?
  24. Sendo lavrada a sentença, a criança/adolescente passará a ter uma certidão de nascimento na qual
    os adotantes constarão como pais. O processo judicial será arquivado, e o registro original do adotado
    será cancelado. Contudo, considerando-se que a história de uma criança não pode ser apagada, o
    juiz autoriza ao adotado, a qualquer momento que este desejar, consultar os autos que tratam de sua
    origem e de sua adoção. Na sua nova certidão de nascimento a criança passará a ter o nome escolhido pelos adotantes e seu sobrenome. Uma vez que a troca de nomes é uma operação bastante delicada,
    os profissionais da Vara da Infância buscam ajudar nesta fase de transição.

  25. Quais são os custos financeiros para o processo de adoção?
  26. A inscrição, a avaliação e o acompanhamento, realizados por instância oficial, são absolutamente
    gratuitos. Caso os interessados optem por recorrer a serviços externos (psicólogos, médicos, etc.), ao
    setor público, terão que pagar os honorários cobrados.

  27. Qualquer pessoa pode ter acesso aos dados de um processo de adoção?
  28. Não. O processo de adoção tramita em segredo de justiça. Apenas o adotado pode ter acesso às suas
    informações, assim mesmo, somente após autorização judicial. Pais biológicos destituídos do poder
    familiar não têm acesso a esse material.

  29. A mulher que adota tem direito à licença maternidade?
  30. Sim. A licença maternidade para mães adotivas, regida pela CLT, foi concedida após a entrada em
    vigor da Lei 10.421/02. A mãe adotiva tem o direito à licença maternidade proporcional de 120 dias
    no caso de adoção de criança de até 1 ano de idade; 60 dias no caso de adoção de criança a partir
    de 1 ano até 4 anos de idade e 30 dias no caso de adoção de criança a partir de 4 anos até 8 anos.
    O direito de salário-maternidade é estendido à mãe adotiva. Com relação à estabilidade de emprego,
    que é concedida à gestante, não se aplica no caso de mãe adotiva.

  31. O homem que adota tem direito à licença paternidade?
  32. Sim, de 5 dias.

Fonte: http://www.adocaobrasil.org/

Fonte da Fonte: Cartilha Adoção Passo a Passo da AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros (click aqui para fazer o download da cartilha completa), desenvolvida pelo Grupo Acesso - estudos, intervenções e pesquisa sobre adoção da clínica psicológica do Instituto Sedes Sapientiae. Coordenação: Márcia Regina Porto Ferreira e Maria Luiza de Assis Moura Ghirardi.

Bom, é isso aí. Espero ter ajudado alguém que tenha interesse no assunto mas que nunca teve oportunidade de saber ao certo o que fazer.

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Adopcao, um acto de nobreza!


Milouska do blog: Mílouska
Outros Caminhos
Outros caminhos...

Outros caminhos...



Os olhos do nosso filho


Os olhos do nosso filho


São ainda de cor incerta
Não sei sequer se existem
Vão ser de Deus uma oferta

Existem na minha alma
Cravados no meu semblante
Os olhos do nosso filho
Que teve nascer errante

Foste esculpido a preceito
Nas entranhas de outro ser
Não vais sorver do meu peito
Este meu longo querer

E nestas voltas da vida
Cuidou-te Deus sem saber
Para que não herdes no sangue
Este meu estéril sofrer

Não vais nascer de mim
De outro ventre virás
Mas filho da minha alma
Tão amado serás!

E nesta triste incerteza
Me pergunto em desalento
Já nasceste de alguém?
Ou é Deus que te traz?

Ala dos Reis



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Abandono



Sonia Horn do blog: O Cantinho da Borboleta Azul






Abandono

Algo que muito me choca são as notícias recorrentes de crianças sendo abandonadas e descartadas como se fossem lixo. Algumas acabam morrendo por conta do tipo de crueldade que sofrem.
Um dia desses estava fazendo uma pesquisa em jornais pela internet e coloquei no google as palavras "criança abandonada" e o que era de se esperar foi compravado pelas notícias de diferentes jornais do país: de norte a sul, crianças são deixadas nos lugares mais estranhos.... e eu questiono: por que? Se existem tantas pessoas na fila de adoção, por que as mães que não podem ou não querem criar seus filhos, acabam optando por deixá-los desprotegidos, sacrificando-os ou até mesmo matando-os?

Eu mesma tenho uma prima que está na fila de espera há uns 2 anos, como eu fiquei, e até agora nada... E longe de pensar que ela está a espera de uma menina de olhos azuis e bebê pois não é este o perfil que ela deseja, pelo contrário, deseja uma menina sim por já ser mãe biológica de um menino e desejar muito ter uma filha, porém esta menina pode ter 3, 4, 5 anos...
O pior é que o abrigo está repleto de crianças nesta faixa etária, mas como disse no primeiro post da blogagem coletiva, alguns casos são complicadíssimos por que enquanto os pais biológicos não perderem o pátrio poder sobre aquela criança, a mesma fica presa aquele destino de viver no abrigo por muitos e muitos anos. E muitas vezes existem três, quatro irmãos e quando estes são criados juntos, seria total crueldade adotá-los separadamente. Conheço alguns poucos casos, onde este fato ocorreu, mas não é comum. Se não há vínculo entre os irmãos, a justiça tende a colocá-los separadamente para adoção, pois convenhamos, é muito mais difícil 3, 4 irmãos serem adotados juntos do que um ou dois juntos. Mas por outro lado, seria uma covardia separá-los se foram criados juntos.
É importante que as mulheres que não desejem ficar com seus filhos doem-nos legalmente para que estas crianças não sofram.

*** Dica de site sobre adoção muito bom: Quintal da Casa de Ana <http://www.quintaldeana.org.br/>


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