quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Fila de adocao


Andréa Motta do blog: Leio o Mundo Assim...
Fila de adocao

Recebi de Georgia Aegerter (blog Saia Justa), há alguns dias, o convite para participar da blogagem coletiva “Adoção, um ato de nobreza”, promovida por ela e pelo Dacio Jaegger. Ao que parece, Georgia e Dacio foram motivados pelo novo texto da lei de adoção brasileira, que sofreu alterações significativas para quem pretende ou pretendia adotar uma criança.

Sempre que se fala em adoção no Brasil, o que se vê é uma grande discussão sobre a burocracia envolvida neste tipo de processo no Brasil. Além da lentidão processual, há também uma grande dificuldade de serem encontrados pais para crianças que fogem a alguns padrões de adoção: é difícil encontrar um lar adotivo para crianças negras, grupos de irmãos, crianças maiores de cinco anos ou portadoras de alguma doença. A questão racial é decorrente da procura por crianças com tipo físico semelhante à maioria dos candidatos a pais; encontrar alguém que queira assumir mais de uma criança é difícil e a preferência judicial é a de que não irmãos não devem ser separados; crianças mais velhas são rejeitadas no processo, pois a maioria dos casais prefere adotar bebês; e, finalmente, crianças doentes são rejeitadas, pois os candidatos não desejam arcar com despesas médicas ou receiam não saber cuidar da criança.

Uma semana após receber o convite da Georgia, li na Revista O Globo, de 12 de outubro, a entrevista de um médico do Rio de Janeiro, que assumiu sozinho a tarefa de cuidar do pequeno Théo – um menino negro, que nascera com a saúde muito debilitada, em conseqüência das várias doenças herdadas dos pais biológicos, inclusive sífilis. Após um longo processo burocrático e várias idas de Théo para o hospital, ele foi adotado pelo Sérgio D’Agostini; o médico conseguiu ficar com o menino depois que este adoeceu gravemente e a família que o adotaria desistiu. O artigo tinha como idéia central o aumento no índice de homens solteiros que procuram crianças para adoção;são homens estabilizados financeiramente, que desejam ser pais, mas não se vêem casados.


São estas as principais alterações na lei de adoção:
-Limitação de dois anos para o prazo de permanência de crianças em abrigos;

-Implementação de cadastros estaduais e nacionais de crianças e pais que desejam adotar (o que já está previsto pelo Cadastro Nacional de Adoção);

-Idade mínima de 18 anos para adoção. Atualmente, há uma divergência: o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece 21 anos, e o Novo Código Civil, 18. A diferença de 16 anos entre o adotante e o adotado permanece como regra;

-Prazo de 120 dias para a conclusão de perda ou suspensão do poder pátrio. Atualmente, este procedimento leva de 2 a 5 anos;

-Prazo unificado de 30 dias para estágio de convivência entre os pais adotivos e a criança, a ser cumprido no Brasil. O projeto mantém a possibilidade desse prazo ser superior, a critério do juiz. Além disso, mantém-se a prioridade para adoção por brasileiros;

-Em caso de morte dos pais adotivos, a paternidade biológica não será restabelecida, mas os pais biológicos podem iniciar um novo processo de adoção.

-Os pais podem cancelar a autorização até a data de publicação da sentença, e o consentimento só terá valor 30 dias após o nascimento da criança;isto interfere naqueles casos em que a mãe biológica compromete-se, antes do nascimento, a doar a criança.

Eu já havia encerrado este texto, quando decidi procurar, no site do Jornal O Globo, o link para a matéria sobre o Théo e o seu pai adotivo. Descobri, no entanto, que o descaso com as questões sobre adoção no Brasil é tão grande que não consegui encontrar o artigo nem mesmo no site do jornal. Precisei transcrever, no Google, uma frase inteira da matéria para encontrá-la em outro site.

Projeto de lei sobre adoção ( texto na íntegra)
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Adocao, um ato de nobreza!



Roseli Venancio do blog: Bibliotequices e afins

Adocao, um ato de nobreza!

Quando a Georgia do Saia Justa me convidou para participar dessa blogagem coletiva, confesso que vacilei um pouco pois de imediato, esse tema me pareceu muito distante de minha realidade.
Pensei comigo: falar sobre adoção? Mas o que posso falar sobre adoção se esse tema é tão desconhecido para mim? O que posso eu, mulher, solteira, nunca me casei nem fui mãe, vivo distante do universo infantil, o que tenho a falar? Se é que tenho algo a falar...Pensei, pensei, e descobri que tenho sim algo a dizer.
Apesar de nunca ter constituido família, pelo menos nos moldes tradicionais, sempre fui um pouco "mãezona" de todos. Para aqueles que são ligados em astrologia, vão de imediato dizer que é porque sou uma canceriana legítima. Adoro família, sempre fui muito carinhosa com todos, gosto de afagar aqueles que tanto amo e não tenho problema nenhum em demonstrar meus sentimentos. Por outro lado, apesar de todo esse amor que carrego em meu peito, nunca passou por minha cabeça a idéia de um dia ser mãe. Lembro-me de meus tempos de colégio quando outras colegas de minha idade sonhavam acordadas pensando em seus futuros ao lado de um homem maravilhoso e de filhos queridos. Confesso que achava aquilo tudo muito enfadonho e pequeno para mim. Quando elas perguntavam pra mim como eu me via daqui a alguns anos, se espantavam quando respondia que me via independente, solteira, dona do meu próprio nariz, numa profissão que eu gostasse muito. Tá mas...e casamento? e filhos? Eu sempre respondia que não conseguia me ver nessa imagem que elas tanto gostavam. Minhas colegas ficavam intrigadas e acredito até que muitas me achavam esquisita por pensar assim. O tempo passou, amadureci, estudei e muito, hoje tenho uma profissão que amo. Exatamente como me via há trinta anos atrás. Contudo, no passar dos anos, adotei tantas crianças que hoje já se tornaram adultas como eu. A minha forma de ter "filhos" foi outra. Não gerei em meu ventre nenhum ser porém, nesses anos trabalhando na área educacional, convivi com tantas crianças e adolescentes, acompanhei seus crescimentos, suas dúvidas, suas inquietações que, de certa maneira, acabei por adotá-los em meu coração, em meu dia-a-dia e todos eles passaram a fazer parte de minha grande família humana. Tenho meus sobrinhos, que de forma indireta, são meus filhos também. O amor e a preocupação que nutro por eles é algo que extrapola qualquer tentativa de explicação. Essa é apenas uma das inúmeras formas de amar. Essa é apenas uma forma de se adotar um ser em nossas vidas. Mas, existe uma outra forma, que exige uma tomada de decisão que muda toda a sua rotina e responsabilidade: a real adoção de uma criança. E sobre isso, falarei em outro texto.

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adopcao, um acto de nobreza!


Jorge C. Reis do blog: . Blog







Desafio ? ou ... Abaixo os preconceitos !!!




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O que significa ser adotado?



Patty do blog: Palabras By Patty

O que significa ser adotado?

Debbie Moon, professora do primeiro ano, estava com seus alunos vendo a fotografia de uma família. Na foto, um menininho tinha o cabelo de cor diferente da dos outros.

Uma das crianças achou que ele era diferente porque devia ter sido adotado, e uma menininha chamada Jocelyn disse: "Eu sei tudo sobre adoção porque eu sou adotada."

"O que quer dizer ser adotado?", perguntou uma outra criança.


"Significa," disse Jocelyn, "que você cresceu no coração de sua mãe em vez de crescer na barriga dela."
George Dolan
Autor: Jack Canfield e Mark Victor Hansen
Editora: Sextante


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O menino, o irmao e a filha



Clarisse do blog: Clabrazil nas Zuropas


Fazia tempo que a mãe tentava engravidar. Mais precisamente há seis anos, quando se casara com o pai. Ainda criança sonhara em ter uma família grande. Seu ideal de felicidade era uma casa ampla, cheia de portas abertas por onde os pequenos corressem, seus cabelos finos embalados pela brisa maritíma da longinqüa cidade litorânea onde se estabeleceram, ela e o pai.

Da carreira construída com muito estudo, mãe não tinha o que reclamar. Profissionalmente, ela e o pai estavam no ápice. Na região onde viviam havia muita pobreza e a população carecia de dedicados profissionais de saúde como eles. No atendimento aos pacientes, mãe supria um pouco sua vontade de gerar vida quando suas dicas sobre alimentação barata e nutritiva melhoravam a vida de crianças à beira da miséria. No entanto, a frustração de não poder gerar vida em seu corpo a doía demais.
Por conta da vida atribulada que levavam, mãe e pai resolveram procurar uma empregada para ajudá-los nas tarefas domésticas. Foi quando Rita surgiu. Estava no fim da adolescência e era cabocla como a maioria dos nascidos na região. Sua faceirice de menina parecia tentar esconder uma tristeza misteriosa e profunda. Rita precisava muito do emprego e tamanha disposição agradou mãe, que deu-lhe o emprego de imediato.
Com o passar de alguns meses, entretanto, mãe notou Rita indisposta.

Com o jeito didático e acolhedor que lhe eram típicos, mãe chamou Rita para conversar. Timidamente, ela veio. Sentadas frente à frente na mesa da cozinha, mãe mostrou sua apreensão — a qualidade do trabalho de Rita tinha caído muito nos últimos tempos. Mal havia mãe terminado de falar, Rita debrulhou-se em lágrimas.
Ela estava grávida.
Mãe ficou pasma diante da revelação da empregada. Enquanto ela e o pai, com todos os recursos financeiros e emocionais que tinham não conseguiam realizar o sonho de ter filhos, ela, Rita, pobre e sem um relacionamento estável com o pai do feto em seu ventre, tinha engravidado.
Foi preciso juntar todas suas forças para manter Rita em sua casa. Mesmo que doesse em mãe conviver com uma grávida em seu próprio lar, não podia abandonar a moça naquele momento tão difícil.
Surpreendentemente, uma afeição muito grande foi surgindo na medida em que a barriga de Rita crescia. E mais forte ainda foi o laço que se criou com o nascimento do menino. Mãe e Rita se dividiam nos cuidados com o bebê. Ambas viam o menino crescer saudável e feliz. Tê-lo correndo pela casa fazia mãe praticamente esquecer que o menino não era dela. Vê-lo de bracinhos abertos buscando seu abraço lhe dava a certeza de que o menino era dela.
Inexplicavelmente, a presença do menino trouxe não só alegria como também uma onda de fertilidade. Sem maiores esperanças de um dia gerar vida dentro de si, mãe engravidou. O irmão chegou dois anos depois, como uma benção divina.
A felicidade instaurada naquela casa foi abalada com a notícia de que Rita havia encontrado um novo parceiro e planejava deixar a cidade com ele em busca de uma nova vida. Mãe gelou. Rita partir significaria também dizer adeus ao menino. Era impensável para ela ser mãe sem o menino, mesmo que já tivesse sido presenteada com o irmão, fruto de seu próprio ventre.

Cinco anos depois da primeira conversa na mesa da cozinha, mais uma vez, mãe e Rita se sentaram. Com lágrimas nos olhos, ambas chegaram ao consenso de que o menino teria melhores chances com mãe, pai e irmão, do que com Rita e seu novo parceiro em uma cidade distante e estranha.
Antes de partir, porém, Rita fez um pedido à mãe e pai. Quatro anos antes de engravidar do menino, quando ainda vivia no interior e não passava ela mesma de uma menina, Rita havia tido uma filha. A filha vivia com a avó em condições mínimas de subsistência, andava fraca, doente e estava em idade escolar mas não ia à escola. Rita gostaria que ela tivesse a oportunidade de um futuro tão promissor quanto o menino e o irmão. Mas não podia garantí-lo em sua nova vida.
Rita partiu. O menino ficou, o irmão, de fato, se tornou, e a filha chegou.
Hoje em dia, o menino é músico, além de estudar educação física e trabalhar com deficientes físicos. O irmão estuda turismo. A filha é advogada e casou-se há poucos meses. E mãe e pai, de maneira que nunca imaginaram, têm uma família ainda mais feliz que sonharam.

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Adocao


Adelaide Amorim do blog: Umbigo do Sonho

Adotar uma criança – um ato de amor

O tema é delicado. Envolve um tipo de relação humana muito rica e difícil, em que um ou dois adultos resolvem assumir como filho alguém cujos pais não quiseram ou não puderam criar. Mas é também importante e necessário, já que pode ser a oportunidade de resgatar o que se considera o fator maior para o equilíbrio psíquico e afetivo de uma criança.

Não vou falar do ato legal e burocrático, quase sempre cego e surdo ao coração, necessário, mas dependente do tipo de racionalidade de quem interpreta os fatos e lida com o texto da lei. Também não se deve esquecer que há manipulações nesse ato, e que o próprio pretendente à paternidade/maternidade pode esconder interesses bem distantes – e até contrários – daqueles do menor que está reivindicando.

Mas a adoção consciente, feita por pessoas que querem dar um destino digno a seus próprios sentimentos e transformar alguém em um filho, é um dos atos humanos mais próximos da idéia de Deus que temos em nós. Nada e ninguém obrigam a isso, e no entanto há quem assuma esse compromisso para toda a vida, diferente de todos os outros; um compromisso mais pesado e mais doce que um casamento, de resultado incerto – e mesmo assim, quem não desanimou e persistiu até conseguir realizar o que desejava, e enfrenta tantas dificuldades até abrir o espaço necessário para que o pequeno estranho seja transformado em filho pelo amor e pelo desejo só pode ser gente da melhor qualidade, dessa que salva e redime o resto da humanidade.

Ninguém é obrigado a isso, no entanto. Há quem prefira gerar embriões que serão congelados e na melhor das hipóteses prover a medicina de células-tronco. Um destino útil, sem dúvida, mas não a vida do jeito que a conhecemos e experimentamos. Há outras fontes de células-tronco, que agora a ciência já consegue duplicar artificialmente.

Acredito que todos temos em nós essa potencialidade de ser pai ou mãe. Se por algum motivo ela não se concretiza num filho biológico, e diante de tantas crianças órfãs, abandonadas e maltratadas pelos pais, é quase instintivo que se procure aproveitar esse espaço para tirar um ou mais desses menores do estado de abandono, dar a eles um futuro digno e uma chance de felicidade.


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Adocao, uma história de amor


Sonia Horn do blog: O Cantinho da Borboleta Azul

Adoção, uma história de amor


Talvez faça parte da natureza das meninas e certamente as de minha geração, desejarem ser mães um dia. Eu não fugia à regra. Lembro-me adolescente, idealizando os nomes dos meus futuros filhos e imaginando como eles seriam, quem seriam, se seriam menina ou menino, quantos seriam enfim. Em 1991 eu e meu amado nos casamos. Decidimos não engravidarmos no primeiro ano de casamento para curtirmos a vida a dois e no segundo ano de casados programamos a nossa primeira gravidez. E assim aconteceu: em dezembro de 1992, engravidamos do Samuel. E em 1993, tornei-me mãe de um lindo menino! Eu e meu marido sempre conversávamos sobre o futuro e um dia lhe disse que eu gostaria de adotar uma criança, idéia que ele abraçou por completo. Imaginávamos a princípio termos 3 filhos, dois biológicos e um do coração. Porém, mudamos o percurso da história, por que o parto de Samuel foi muito difícil. Tanto ele quanto eu sofremos e tivemos complicações, e eu fiquei muito receosa de engravidar novamente.
Samuel foi crescendo e em um determinado momento, ele só falava em ganhar um irmão ou irmã para brincar com ele. Neste período, eu fazia especialização na faculdade e quando terminei o curso, fizemos nossa inscrição para adotarmos uma criança. Isto foi em 2001/2002.**Uma observação: é interessante acrescentar que quando se está fora do contexto dos caminhos até a adoção, imaginamos que será super fácil realizá-la de modo legal, já que todos os dias sai no jornal que uma criança foi abandonada em tal lugar, ouvimos falar dos orfanatos cheios de crianças... Porém, na vida real, a realidade é tão difícil para o lado da criança que espera ser adotada quanto para os futuros pais que desejam ansiosamente adotá-las. E esta dificuldade vem como um balde de água fria, o que no meu caso não foi diferente.

Após a inscrição, somente fui chamada para o curso de habilitação um ano depois. Em 2003, fiz o tal curso, por sinal, um curso relevante, pois nós conhecemos outros casais ou pessoas solteiras que estavam neste mesmo processo. Tivemos 3 encontros e estas reuniões eram organizadas por uma psicóloga e assistente social e eu imagino que a todo momento estávamos sendo avaliados se éramos aptos/habilitados a sermos bons pais. Depois destes encontros em grupo, tivemos encontros individuais ou com os casais somente. Eu fui entrevistada por uma psicóloga e meu marido ficou do lado de fora da sala. Depois, meu marido foi entrevistado e eu fiquei esperando-o fora da sala. Meses depois, uma assistente social esteve em nossa casa para conhecer o espaço que habitávamos e nos entrevistar mais uma vez. De todos os encontros e entrevistas, a assistente social organizou nosso estudo social, uma espécie de histórico sobre nossa família.

Lembro-me que para receber a habilitação, demorou mais um ano! Vocês acreditam nisso??? Pois é, aconteceu comigo e com todos os que estavam participando da dinâmica. Lembro-me também que daquele grupo, nem todos foram habilitados e sinceramente até hoje não sei quais são os critérios de avaliação para estarmos aptos à adotarmos. Gostaria de dizer que acho muito válido sermos avaliados sim, porém o grande tormento neste processo é a morosidade do mesmo. Por que demora tanto tempo, meu Deus?

O sistema precisa mudar, precisa de mais agilidade! As crianças estão crescendo nos abrigos.....

***Outra observação: acredito que o processo para habilitação tenha mudado, mas quando fomos habilitados, recebemos um certifcado assinado pelo Doutor Siro Darlan e uma lista de abrigos onde podíamos visitar para quem sabe, 'sermos escolhidos' por alguma criança. E foi o que fizemos por muitos finais de semana. Visitamos muitos abrigos, nos apaixonamos por tantas crianças.... Pena não podermos trazer todas para casa pois alguém que tenha carinho e compaixão pelo seu semelhante, não agüenta ver tantas crianças abandonadas, carentes de um olhar amigo, um gesto carinhoso, precisando de atenção e amor. Conhecemos diversos abrigos no RJ e de vez em quando ainda visitamos um ou outro para brincarmos com as crianças. Nos abrigos, os funcionários evitam dizer quais crianças estão para adoção, por que aliás, esta é uma outra grande decepção: antes eu pensava... se estas crianças estão abrigadas, por que não estão para adoção???? Ora, por que simplesmente a grande maioria têm um pai, uma mãe, uma tia, que apesar de não ficarem com elas, não aparecem para darem carinho a seus fihos mas também não os doam para adoção. Existem exceçoes, é claro. Há crianças que estão lá por que seus pais não têm condições de criá-lo/a por inúmeras razões.

Continuando.... Em janeiro de 2004 recebemos nossa tão sonhada habilitação - ufa- finalmente, pensei! Agora será rápido. Neste período, eu participei de um grupo de adoção pela internet onde pessoas de todo Brasil davam suporte emocional e ajudavam a localizar nos abrigos quais crianças estavam para serem adotadas. É importante enfatizar que adoção para mim tem de ser legal, pois fiho é para sempre e neste Brasil de contrastes, existe de tudo... lembro-me uma vez, eu de férias na Paraíba, encontrava-me num salão de cabeleireiro, quando a moça que me atendia notou meu sotaque carioca e me perguntou se eu não gostaria de 'levar' uma criança para mim pois havia nascido naquela semana e a mãe já tinha 5 filhos! Eu fiquei perplexa.... pensei: "será que está no meu semblante que eu estou querendo adotar uma criança?" Porém expliquei a ela que o que ela me pedia para fazer, por mais tentador que fosse, era um crime. E eu jamais adotaria daquela maneira. Lamentei pelo bebê que já nascia tão sem futuro :-( e sem perspectivas.

Em julho de 2004 nós queríamos viajar para o nordeste de férias - adoro o nordeste! e como tínhamos muitas milhas, podia escolher o destino... pensamos em São Luís pois ainda não conhecemos, Fortaleza, Recife, João Pessoa que é para onde vamos mais freqüentemente, e no final decidimos por Natal, pois havia ido lá somente uma vez e a impressão que havia me deixado foi de uma cidade muito linda e acolhedora. Era a semana do meu aniversário e voltaria justamente neste dia. Uns dias após termos trocados as milhas para as passagens, recebo um e-mail de uma amiga virtual daquele grupo de apoio, alguém que se tornaria nossa anja! Ela dizia no e-mail que sabia de uma menininha que estava pronta para adoção e não havia naquele momento nenhuma família pretendendo adotá-la. Era uma menina que havia ficado muito doentinha, mas já estava com alta do hospital e pronta para ser feliz. Ela descreveu a menina mais ou menos e me disse que como estava habilitada no RJ talvez tivesse a chance de adotá-la. E ela terminou o e-mail assim: "o problema, Sonia, é que a menina se encontra em Natal... não sei se você iria poder, já que RJ até Natal fica bem longe..." Eu quase que tive 'um treco'. Telefonei para o meu marido imediatamente e ele quase teve um treco junto comigo. E foi assim que tudo aconteceu. Procurei tanto por aqui. Esperei tanto. E nossa filha estava longe, em Natal. Lembro como se fosse hoje quando chegamos ao abrigo onde ela se encontrava. A assistente social nos trouxe Marcela e ela imediatamente sorriu para nós e tocou a minha perna. Nossas férias se transformaram em descobertas e adaptações. Saímos com Marcela todos os dias que estivemos lá e ao mesmo tempo íamos todos os dias no Juizado para agilizarmos os papéis. Mesmo sendo habilitada no RJ, nós tivemos de fazer a habilitação lá também e todo o processo demorou um ano (2005) até que nossa filha passasse a ter nosso sobrenome. O juizado de Natal enviava as documentações para o juizado do RJ e aqui nós resolvemos tudo.

Num de nossos passeios, fomos a um shoppping em Natal pois queria comprar algumas roupas para ela viajar para o RJ. Meu marido ficou me esperando fora da loja com ela no colo, quando ela de repente, olhou para mim e apontou: "mainha!" Gente, vocês podem imaginar a minha emoção naquele momento? Ali eu me tornei mãe novamente. Eu e meu marido choramos de emoção e Samuel, nosso filho estava maravilhado com a irmã que ganhava. No dia de meu aniversário, eu ganhei uma filha de presente, pois foi no dia 2 de agosto de 2004, o dia que o juiz me deu a guarda provisória e a autorização para que ela viajasse com a gente. Aliás, esta história da guarda parece até novela: a autorização não chegou a tempo de nosso vôo e depois de conversar muito na Varig ( saudades da Varig!!!), a atendente foi muito solidária comigo e conseguiu me encaixar num outro vôo para o RJ, mais tarde. Os aviões lotados.... Portanto, Niels e Samuel viajaram primeiro e nós, eu e Marcela, voltamos num vôo mais tarde pois sem os documentos corretos não teríamos embarcado. E nós duas ainda atrasamos o vôo, todos nos esperavam e eu entrei meio sem graça no avião e não agüentava de cansaço e alegria: olhei para a aeromoça e contei-lhe: "eu acabei de adotar esta menininha linda, ela é minha filha agora. Estava esperando a autorização com a guarda para poder viajar!" E os passageiros que estavam por perto, me parabenizaram. A aeromoça também... Eu precisava dizer a alguém que aquele momento era muito especial para mim. Quando cheguei no aeroporto, minha família em peso nos esperava, afinal, todos queriam conhecer a nossa filha tão sonhada. Na casa de minha mãe houve uma festa de aniversário para mim e para Marcela, que na época tinha 3 anos e 3 meses. Era uma menina séria, totalmente o oposto do que é hoje: nossa Marcela é alegre, meiga demais, amiga, super filha, carinhosa, inteligente e é linda!! Posso afirmar a quem tiver dúvidas, medos, incertezas que siga adiante.
Mas não veja a adoção como caridade! NÃO adote se pensar em caridade! Caridade podemos fazer sempre com todos os que precisam. Mas adoção é um ato de amor. É para todo sempre.

Ao longo desta semana, darei algumas dicas de sites muito úteis para aqueles que desejam ou estão neste longo processo que é gerar um filho do coração no Brasil, por meios legais. Também abordarei outras questões relacionadas a este processo. Nossa princesinha hoje está com 7 anos. Já está lendo, adora matemática, ouvir histórias, dançar, viajar, viver e junto com Samuel formam o nosso arco-íris na família. A relação dos dois não poderia ser melhor. É como se sempre tivesse existido. Um é super unido com o outro. Os dois são verdadeiros irmãos.

Perdoe-me pelo texto longo e se eu não consegui expressar o que sinto pois este assunto mexe verdadeiramente comigo.

Tenham todos uma ótima blogagem!
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